quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

CHURCHILL, O HOMEM QUE "MOBILIZOU"A LÍNGUA INGLEZA E A LEVOU À BATALHA"


Eis a vitória que interessa ao estadista que combate a guerra da destruição entre os homens: conquistar a guerra das palavras que impede a restauração do sentido nas nossas vidas

Na abertura de cada tomo dos seis volumes que compõem as suas Memórias da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill fez questão de escrever um lema que o serviu como norte durante toda a sua longa vida, especialmente em situações extremas – “Na guerra, determinação; na derrota, desafio; na vitória, magnanimidade; na paz: boa vontade”. 

A palavra-chave aqui é “magnanimidade”. Sem ela, jamais conseguiremos entender qual foi a principal realização de Churchill, não só política, mas sobretudo existencial. De todos os estadistas que povoaram o imaginário do século XX, ele foi, sem dúvida, aquele que mais se aproximou daquilo que eu chamo, no meu livro Crise e Utopia – O Dilema de Thomas More(2012), de “político do espírito”. 

Quando encontramos esse tipo de homem, existem apenas duas medidas de alma, como diria o filósofo espanhol Ortega y Gasset em seu fundamental texto “Mirabeau, ou o político”. São a magnanimidade e a pusilanimidade. Ambos os conceitos são descrições muito aguçadas do que se passa na vida interior de uma pessoa e não têm qualquer cunho moralista, e sim moral. Para Ortega, “o magnânimo e o pusilânime pertencem a espécies diversas; viver é, para um e outro, uma operação de sentido divergente e, em consequência, carregam dentro de si duas perspectivas contraditórias”. 

O primeiro é “um homem que tem uma missão criadora: viver e ser são, para ele, fazer grandes coisas, produzir obras de grande calibre”; já o segundo “carece de missão: viver é para ele simplesmente existir, conservar-se, andar por entre as coisas que já estão aí, feitas por outros – sejam elas sistemas intelectuais, estilos artísticos, instituições, normas tradicionais, situações de poder público. Seus atos não brotam de uma necessidade criadora, originária, inspirada e não brotam de uma necessidade ineludível como o parto. O pusilânime, por si, não tem o que fazer: faltam-lhe os projetos e o afã rigoroso de execução”. 

Infelizmente, nos nossos dias, quando temos diante de nós a figura de um Churchill ou – para ficarmos no escopo brasileiro – de um Joaquim Nabuco, o estudo da política (e do que seria um verdadeiro estadista) pende para o lado da pusilanimidade, que se reflete na imposição popular de que o político ideal seria uma “boa pessoa”, dotada de um carisma similar à magia, igual a um conceito abstrato, uma coleira perfeita para um sujeito que, ao articular e comandar uma sociedade, precisa comportar-se como o restante do gênero humano – ou seja (e aqui voltamos a Ortega), como alguém que afirma espirituosamente que devemos agir semelhante a “uma mulher que se casa com um artista porque é artista, e depois se queixa porque este não se comporta como um chefe de repartição pública”. 

Ora, Winston Spencer Churchill foi tudo, menos um chefe de repartição pública. Além de ser um estadista, foi também pintor, construtor de casas, soldado, estrategista, visionário, patriota, e, mais do que todas essas funções, um historiador digno de ficar ao lado de Edward Gibbon e Thomas Macauley, com uma imaginação histórica que, nas palavras de Isaiah Berlin, era “tão forte e tão abrangente a ponto de encaixar todo o presente e todo o futuro na moldura de um rico e multicolorido passado”, uma abordagem idiossincrática que era também “dominada por um desejo – e uma capacidade – de encontrar sentidos morais e intelectuais fixos, de dar forma e caráter, cor, direção e coerência à corrente de acontecimentos”. 

Contudo, isso não era suficiente para enquadrar o velho Winston em alguma categoria. Churchill era tudo isso que foi listado acima, mas, antes de qualquer coisa, ele era um escritor que, por ter um amor intenso pelas palavras, sabia que seria graças a elas que finalmente venceria a guerra contra Adolf Hitler. 

“Político de espírito” 

É este drama específico que o filme O destino de uma nação (Darkest Hour, 2017), dirigido com maestria por Joe Wright (o mesmo cineasta de Desejo e Reparação e Razão e Sensibilidade), mostra com incrível precisão. Vemos aqui um Churchill – interpretado por um Gary Oldman que praticamente some no papel, tamanha a sua imersão na personalidade do inglês – que, além de ter de enfrentar Hitler, também tinha de combater o “fogo amigo” de ingleses como Neville Chamberlain e Lord Halifax, que o pressionavam para fazer um acordo de paz com a Alemanha nazista, simplesmente porque viam a situação sob uma perspectiva pusilânime e não percebiam que, muitas vezes na vida, o Mal é uma força ativa, concreta, e contra a qual os magnânimos não podem recuar sob hipótese nenhuma. 

Como se isso não bastasse, testemunhamos, na película de Wright, a encruzilhada de um político que não consegue articular corretamente para si mesmo e para os outros ao seu redor o que era a sua visão do problema civilizacional que a Inglaterra enfrentava naquele momento histórico – e o que era a sua própria posição como estadista que deveria representar os anseios não da opinião pública (dominada pela imprensa e pelas elites isoladas em seus castelos), mas do sentimento popular que então intuía sobre o iminente desastre do cerco de Dunquerque e a provável invasão do exército alemão nos campos verdes do império britânico. 

Para quem sempre dizia que “as palavras são as únicas coisas que perduram”, tal impasse existencial era a única batalha importante – e Wright e Oldman (com a ajuda do roteirista e romancista Anthony McCarten) conseguem transformá-lo em cinema de primeira categoria, dando ao espectador uma sensação que não estamos apenas assistindo a uma simples cinebiografia, mas sim a um drama de sentido que mostra algo incompreensível para quem se acostumou a analisar a política nos nossos dias pela ótica pusilânime – no caso, um estadista que está literalmente possuído por uma missão. 

Pois foi exatamente isso o que tornou Winston Churchill um “político do espírito” – alguém que está imbuído de um sentido de aceitar o destino que depende e ao mesmo tempo não depende da sua escolha, além de convencer os outros de que há um significado nas coisas deste mundo – mesmo que seus semelhantes imponham obstáculos que dificultam o viver, este processo durante o qual o ser humano aponta para um futuro desconhecido e apoia-se em um presente frágil. 

Como qualquer um que sabe que fazer alguma coisa é a própria ocupação da vida, Winston Churchill reconhecia que a única certeza que tinha naquela encruzilhada que se encontrava eram as suas experiências do passado, embaladas na retórica brilhante daquela “virtude da consistência” que, segundo João Pereira Coutinho, definia as ações de Marco Túlio Cícero e de Edmund Burke, suas maiores inspirações. 

Somente assim o “político do espírito” poderia perceber qual seria a sua missão e qual o significado dela. Churchill foi um homem que optou de forma consciente pela magnanimidade – e, ao olhar para trás, vendo com clareza, entre os escombros e as conquistas do que já aconteceu na História, uma intuição do que poderia acontecer, ele aprendeu com seus acertos e, muito mais, com seus erros; percebeu que o futuro seria uma contínua possibilidade de escolhas que, se uma fosse aceita, a única maneira de não se lembrar das outras que poderiam ter sido seria assumir a sua responsabilidade – enfim, ter a plena noção de que ele estava dentro das coisas deste mundo e que essas tinham um peso, uma concretude que não podia ser negada. 

Em O destino de uma nação, Wright retrata o estadista inglês como se ele fosse um “peregrino do Ser” (mais uma vez, obrigado a Ortega y Gasset pela expressão), um político que não apenas é um magnânimo que luta contra os pusilânimes, mas também alguém igual a qualquer um de nós, um homem perdido em seus pensamentos – apelidados pelo próprio Churchill de black dog (cão negro), tamanha a força da melancolia misturada com a da vitalidade –, e que caminha sem saber se qualquer ação sua terá um efeito ou uma consequência prática que aproxime os seus próximos da resposta para o que fazer com a vida. 

Ele era alguém que se movimentava na tensão entre o mundo e o espírito (mesmo que não fosse o mais fiel dos crentes) e percebia o drama de sentido numa sociedade que tinha de redescobrir dentro de si mesma o fato de que era a própria representante da História (“History is England”, já dizia T.S.Eliot nos seus Quatro Quartetos), numa forma de conhecimento que só esta última seria capaz de restaurar qualquer espécie de ordem real e verdadeira, não apenas na Grã-Bretanha, mas também no resto do mundo. 

Entretanto, essa imaginação histórica, por ser justamente baseada em um passado que se apoia no presente atormentado das circunstâncias concretas, tentava unir o constante e o inconstante da razão humana; procurava, naquela balbúrdia da guerra, qualquer amostra de lógica, proporção e sentido – mesmo quando encontrava muitas vezes as ruínas de um fato que só pode ser redescoberto pelo esforço contínuo da memória, sendo que esta seria recuperada pelo uso constante e correto da língua e da linguagem. 

Era essa sensibilidade com os verbos – algo que se aproximava do sensual e do erótico, como bem elucidou um dos melhores biógrafos de Churchill, William Manchester, em sua magnífica opus de três volumes, The Last Lion(“O último leão”) – que o fazia caminhar pelo passado para descobrir o presente no qual todo o povo inglês deveria viver de forma justa, um presente que, se não fosse pela sua visão como escritor e historiador, estaria perdido sem qualquer possibilidade de retorno, atingindo não só o seu próprio futuro que se estreitava cada vez mais, como também o futuro da sociedade que ele próprio representava. 

Não à toa que o título original do filme de Joe Wright é “Darkest Hour”. Aquela não foi apenas a hora mais sombria de todo o século; foi também a hora mais escura, a hora mais aterradora que um político repleto de magnanimidade poderia viver. Churchill era um visionário, mas não sabia como expressar essa intuição ambiciosa aos seus pares e ao povo pelo qual deveria lutar. 

De fato, não era um santo; contudo, conforme escrevi em um ensaio sobre a sua nemêsis, colocando-o como antípoda, não seria um exagero que ali o seu papel era o mais próximo de um profeta hebreu – como ele foi chamado durante os chamados “anos de ostracismo” na década de 1930, quando alertou sobre os perigos de Hitler, ninguém o escutou e o resultado foi aquilo que classificou de “a guerra desnecessária”; ou o de um spoudaios, o homem maduro descrito por Aristóteles, capaz de desenvolver ao máximo as suas potencialidades e, em consequência, aprender que governar e comandar os outros é antes de mais nada governar e comandar-se a si mesmo, especialmente no domínio das paixões e dos sentimentos. 

E, de fato, Churchill conhecia a profundidade da sua alma e da dos seus semelhantes pois desceu ao inferno do conhecimento próprio e de lá voltou. Não foi apenas alguém que mandou, mas alguém que representou os anseios mais íntimos dos seres de carne e osso que compunham a sociedade inglesa; não era somente um chefe político ou institucional, mas um líder autêntico, com liderança existencial, pois foi o reflexo da comunidade que governou. 

Como o próprio analisou uma vez, talvez numa espécie de autorretrato deliberado: “Todo profeta deve provir da civilização, mas todo profeta tem de ir para o deserto. Deve ter uma impressão profunda de uma sociedade complexa e de tudo o que ela tem para dar, e depois atravessar períodos de isolamento e meditação. É mediante esse processo que a dinamite psíquica é feita”. 
Salvador da civilização ocidental 

“Dinamite psíquica”: temos que ter essas palavras em mente quando analisamos, por exemplo, a antológica cena do metrô em O destino de uma nação, na qual Churchill, completamente angustiado pela decisão que deve fazer (aceitar ou não o acordo com Hitler), tem uma iluminação súbita a lá Bernard Lonergan e resolve se encontrar com o povo londrino no famoso “tube”. 

Lá, Wright, McCarten e Oldman se dão conta do que poucos realizadores cinematográficos perceberam na hora de retratar qualquer evento político crucial do século XX. Eles dramatizam literalmente a descida ao submundo, ao underground, a descida ao Hades, a descida ao inferno das palavras, a descida que caracteriza a grandeza do “político do espírito”, e de uma maneira tão natural que o espectador simplesmente não nota a trama arquetípica que está assistindo. 

Churchill só pode articular a sua visão se ele fosse às profundezas de si mesmo – e da sociedade que ele precisa defender a qualquer custo. Ao conversar com a verdadeira sensibilidade popular – e não com a opinião pública deformada pelos membros do seu gabinete em Downing Street –, o primeiro-ministro entra em sintonia com o mistério e a complexidade do real. Aqui, a mensagem é clara e cristalina: para vencer a guerra das armas, é preciso vencer a guerra das palavras – mas esta só será liquidada se o estadista conquistar a guerra contra seus próprios demônios. 

A partir daí, o Churchill de Joe Wright, Anthony McCarten e Gary Oldman está no ápice da sua forma. Ele é o “peregrino do Ser” em todo o seu esplendor; além de convencer a maioria do seu gabinete que uma negociação com a Alemanha seria o mesmo que ver “a bandeira da suástica hasteada na entrada de nossas casas e do Palácio de Buckingham” (uma imagem persuasiva digna de filme de terror). 

O resultado prático é a elaboração do clássico discurso sobre a retirada de Dunquerque dirigido ao Parlamento – um exemplo da síntese da retórica moderna e antiga, como bem analisa Ricardo Sondermann no seu recém-publicado Churchill – A Ciência Por Trás dos Discursos (LVM Editora), e que possui talvez o trecho final mais heroico que alguém já produziu em qualquer século, comparável apenas ao discurso “Band of Brothers” de Henrique V na peça homônima de William Shakespeare: 

“Não vamos faltar ou fracassar. Vamos lutar na França, vamos lutar nos mares e oceanos, vamos lutar com poder aéreo e confiança cada vez maiores, vamos defender nossa ilha a qualquer custo, vamos lutar nas praias e nas aéreas de paraquedistas, vamos lutar nos campos e nos morros, vamos lutar nas ruas. We shall never surrender”. 

(Por coincidência, são essas mesmas frases usadas também por Christopher Nolan em Dunkirk [2017], o belíssimo filme que mostra a mesma situação histórica, agora do ponto de vista dos soldados – mas com um intento deliberadamente irônico e elegíaco). 

Mas este ainda não é o final – nem de Churchill, nem da guerra, muito menos do longa de Joe Wright. Em seu livro Cinco Dias em Londres, um relato minucioso desse período da nossa “hora mais sombria”, o historiador John Lukacs faz a óbvia pergunta: será que o primeiro-ministro foi responsável por ter salvado a Civilização Ocidental? 

Neste ponto, Lukacs deixa toda a imparcialidade historiográfica de lado e escreve apaixonadamente: “Em um momento dramático no século XX, Deus conferiu a Churchill a incumbência de ser o seu principal defensor”. 

Se a Nova Ordem de Hitler vencesse a guerra, aquilo que conhecemos como o mundo ocidental desapareceria por completo – e hoje vivemos um momento histórico em que essa mesma pseudo-ordem quer destruir o que cultivamos com tanto carinho. 

Todavia, segundo o mesmo Lukacs, tivemos cinquenta, sessenta, talvez setenta anos de trégua graças àquele senhor rechonchudo que, após proferir o discurso sobre como triunfaria diante do colapso, não pôde ouvir um rapaz que, ao não entender os aplausos alucinados da Câmara dos Comuns, fez a seguinte pergunta a Lord Fairfax (ou pelo menos assim foi na versão cinematográfica de Wright): “O que acabou de acontecer?”. E Fairfax – interpretado pelo grande Stephen Dillane, um desses atores ingleses capaz de dar vida a uma simples lista telefônica – responde com o understatement tipicamente britânico em um diagnóstico que, na verdade, foi dito anos depois pelo jornalista americano Ed Murrow: “Ele mobilizou a língua inglesa e a levou para a batalha”. 

Porque eis a vitória que interessa ao estadista que combate a guerra da destruição entre os homens: conquistar a guerra das palavras que impede a restauração do sentido nas nossas vidas. 
Por: Martim Vasques da Cunha é autor dos livros Crise e Utopia – O Dilema de Thomas More (Vide Editorial, 2012) e A Poeira da Glória – Uma (inesperada) história da literatura brasileira (Record, 2015); pós-doutorando pela FGV-EAESP.
Do site: www.gazetadopovo.com.br 

Como seria a MINHA intervenção federal no Rio de Janeiro

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

POR QUE ALGUMAS PESSOAS FICAM RICAS?

Existem milhares de livros sobre como ficar rico.


Nós sabemos muito bem o caminho, mas muitas pessoas sequer leram esses livros.

Resumindo, todos numa única palavra temos o santo graal “persistência”.

Que poucas pessoas possuem, ou a poucas é ensinado quando crianças.

Pelo contrário, a maioria dos filhos de hoje recebe tudo de mão beijada, especialmente os filhos de ricos.

Esses são os primeiros a voltarem a ser pobres.

A maioria das pessoas não aprende matemática, por exemplo, por falta de persistência.

Apesar de 2+2 ser sempre =4, facílimo de aprender.

Isso porque em matemática não se pode perder uma única aula, deixar de fazer um único exercício, perder um raciocínio, senão você fica para trás.

Por isso aqueles que ficam fazendo política no Grêmio Estudantil são tão ruins em matemática.

Como Karl Marx, por exemplo, bom de bico, mas ruim de cálculo como os demais.

Se soubessem fazer contas, saberiam que a Previdência está quebrada, que o Estado está quebrado, que a Petrobras estava quebrada, que quebraram o Brasil.

Mesmo assim querem reeleger o Lula pela quarta vez, e ficarão mais pobres ainda, por falta de conhecimentos de matemática. 
Por: Stephen Kanitz Do site: http://blog.kanitz.com.br

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

CO2: BRASIL NÃO CUMPRE O IMPOSSÍVEL, MAS AMBIENTALISTAS QUEREM MAIS E PIOR


Nada indica que os ativistas profissionais abandonarão as exigências
insensatas e sem a menor base científica.

O Brasil está longe de cumprir as metas climáticas que impôs a si mesmo no âmbito do Acordo de Paris e caminha na contramão das políticas climáticas implementadas na era petista, reconheceu a Folha de S.Paulo.

Em Paris, a então presidente Dilma Rousseff prometeu demagogicamente que o País reduziria em 37% as emissões de CO2 – o bicho papão do aquecimentismo climático – até 2025.

Mas essas subiram 8,9% só em 2016 tornando ainda mais inverossímil a espalhafatosa meta. Isso obviamente preocupa às organizações e militantes verde-vermelhos que agitam o inexistente fantasma das “mudanças climáticas”.

Eles exigem mais rigor estatista para estrangular mais o País implementando a irreal agenda ambiental prometida em Paris.

Neste blog tivemos repetidas ocasiões de mostrar que a meta apresentada pela heroína climática petista era uma fantasia irrealizável.

Porém, ela escondia um objetivo encravado no coração petista: arruinar o Brasil paralisando sua indústria e seu agronegócio para “salvar o planeta”. Isso deveria levar a uma miséria do tipo cubano.

Reprimir as emissões de CO2, o chamado gás da vida, não influiria nada no clima, como foi de mostrado pelos melhores cientistas do País na matéria. Vide as declarações do Prof. Luiz Carlos Baldicero Molion, (lá em 2010!) sobre o assunto.

Acresce que para atingir a fabulosa proporção de – 37%, as esquerdas e os ainda mais radicais militantes ambientalistas sonhavam com medidas socialistas ditatoriais.

Essas deviam interromper a expansão da área cultivável – e se possível reverte-la – ferir o coração energético da atividade industrial e condenar os cidadãos a andar só de transporte público – dono de carro seria tido como bandido – e idealmente passar à bicicleta como na China de Mao Tsé Tung

Ou, ainda mais virtuosamente, se adaptar a uma choça indígena primitiva para evitar o aquecimento que transformaria a Terra num planeta ardente e desértico.

Hoje figuras emblemáticas do PT e de seu esquema de corrupção estão às voltas com a Justiça.

E, no âmbito internacional, a saída dos EUA jogou uma pá de cal no ruinoso acordo parisiense.

Se os EUA ficam de fora, muitos outros países já deixaram entender que não levarão a sério o que assinaram. O Acordo de Paris ficará tão oco como o Protocolo de Kyoto que pretendia substituir.

A vida normal falou: a meta ideologicamente enviesada é inatingível e a emissão de gás da vida aumentou naturalmente em 8,9%.

Mas a confraria eco-anarquista parece cega. Em vez de sossegar e criar juízo, volta à carga com mais propostas no sentido do acordo hoje semi-morto.

Esperneiam contra a medida provisória 795 em andamento no Legislativo, que concede incentivos fiscais ao setor de óleo e gás, que, para eles, é o demônio capitalista maior na emissão de CO2 no mundo.

Para Viviane Romeiro, do WRI (World Resources Institute), o Plano Decenal de Energia (PDE) mostra que o governo brasileiro desconhece as agendas de clima. E isto, na linguagem da confraria verde, é crime contra o planeta.

Segundo ela, o Brasil não só não cumpre o que prometeu no Acordo de Paris, mas nem mesmo as promessas anteriores previstas na Política Nacional de Mudança do Clima.

Repetimos: são impossíveis de serem cumpridas porque ideologicamente enviesadas e contrárias à natureza.
*
Climatologista sério anunciava em 2010 o arrefecimento global, para espanto dos jornalistas crentes no mito do aquecimento global:



Por: Luís Dufaur 25 de janeiro de 2018 - 23:45:32 Do site: midiasemmascara.org

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

ÉTICA E A VOCAÇÃO PARA A EXCÊLENCIA


A ética é a resposta à pergunta “o que devo ser?” E a resposta é simples, mas profunda: o indivíduo é chamado a ser o melhor que ele puder ser

Realização, felicidade. Quem não quer? Mas como chegar lá sem saber exatamente no que consistem a realização e a felicidade? Diversos sistemas filosóficos se ocuparam deste tema e ofereceram as mais diversas respostas, muitas vezes opostas entre si. Para uns, a felicidade estaria na fruição ilimitada dos prazeres; para outros, na negação completa destes mesmos prazeres. Para uns, a felicidade de uma pessoa é indissociável da felicidade dos demais; para outros, a felicidade individual pode justificar até mesmo que se passe o outro para trás. Em comum entre todas essas noções está a constatação de que a felicidade e a realização passam pelo modo como nos comportamos.

Atualmente, fala-se em ética quase tanto quanto em felicidade ou realização. E a ética é frequentemente associada a um conjunto de normas, uma lista de “certos” e “errados” que balizam nosso comportamento no relacionamento conosco mesmos, com nossa família, nossos círculos de amigos e de trabalho, e no espaço público. Ser uma pessoa “ética” significaria se comportar de acordo com essas normas. Não é exatamente uma maneira errada de enxergar a questão, mas é uma maneira insuficiente.

Deveríamos nos contentar em “passar raspando” pela vida? 

Uma ética entendida assim, em termos normativos, tende a se tornar uma ética negativa, uma ética de limites, em que a grande preocupação é traçar (e testar) a linha do “não pode”, o limite que separa o certo do errado, com a convicção implícita de que simplesmente estar do lado “bom” desse limite será suficiente. Para fazer uma analogia com a vida escolar, é claro que ser aprovado com a média mínima exigida pode ser aceitável quando a disciplina é especialmente difícil. Mas deveríamos transformar o “passar raspando” em um ideal, na chave da realização de um estudante? Deveríamos nos contentar em “passar raspando” pela vida?

E a consequência de pensar na ética como a delimitação de linhas separando o certo e o errado é acabar olhando as situações no esquema “preto ou branco”: matar uma pessoa num acidente de trânsito se torna tão grave quanto ordenar um genocídio; uma “mentirinha social”, como aquele elogio nada sincero, é tão condenável quanto uma traição. A vida não é assim: dentro das ações condenáveis, há aquelas mais ou menos graves, e o mesmo vale para os atos louváveis.

Uma ética normativa tende também a ser vista como um saber de especialistas, de experts, que sabem lidar com um complexo de normas, interpretá-las e aplicá-las às situações concretas. Ora, a experiência universal nos mostra que pessoas muito simples, sem qualquer formação especial, são com frequência muito mais retas que outras que usam sua formação para distorcer e justificar o injustificável. Por fim, para cada um de nós, uma moral entendida assim, em termos normativos, acaba dando à ética a condição de algo útil, necessário, mas “que me limita”. Ou seja, como uma exigência externa, requerida pela vida em sociedade, mas não tão grata, nem tão iluminadora da minha existência.

Mas haveria alguma alternativa a essa visão, limitada e pouco atraente, que é a mais difundida e que chamamos de normativa?

O homem cabal é, sobretudo, o homem virtuoso, independentemente de seus dotes intelectuais ou formação cultural 

Sim, mas é preciso um bom recuo no tempo. É entre os antigos gregos que se encontra uma intuição acerca da moral que nos parece fascinante. Vários de seus mais ilustres pensadores viam essa questão – e influenciaram amplamente seus contemporâneos – de um modo bastante diverso do que apresentamos acima. Quando, entre eles – e entre os antigos em geral –, se refletia acerca do que depois se passou a chamar de ética, não se pensava em um conjunto de regras, em um emaranhado de normas que importasse conhecer.

Em que se pensava? Em excelência, na busca do melhor e mais perfeito. Pensava-se na ciência da indagação sobre o que o homem está chamado a ser, sobre o que é a realização integral e plena do homem. A ética não era questão de cumprir normas, de se perguntar “posso ou não posso?”. Entendia-se a ética como a resposta à pergunta “o que devo ser?” E a resposta, simples, mas profunda, era: o indivíduo é chamado a ser o melhor que ele puder ser; a não se contentar com menos do que com a excelência.

De que excelência se tratava? A que, especificamente, a palavra arete(excelência moral) se referia? A todas as que podem ser alcançadas pelo homem? No estudo, no trabalho, em um hobby, enfim, em qualquer atividade humana? Não precisamente. Há muitas “excelências”: no esporte, na arte, nos estudos, na ciência. Mas o desempenho excepcional em certos campos não está ao alcance de todos: poucos serão, um dia, campeões olímpicos ou prêmios Nobel. Mais do que isso, ainda: o fato de se alcançar tal nível de performance nesses campos parciais, setorizados, não torna uma pessoa necessariamente melhor como pessoa. Todos temos experiência e notícia de como muitos gênios são canalhas.

Para toda a experiência do ocidente e boa parte do oriente, as virtudes foram vistas como o fim da educação do homem veja também Nossas convicções: índice

A ética, portanto, não trata dessas “excelências”, mas de um tipo muito específico de excelência que, sim, está à mão de todo homem ou mulher, e que, sim, os torna melhores como pessoas. Quem no-la descreve é um autor estoico do século 3.º, o imperador romano Marco Aurélio: “muitas coisas dependem por inteiro de ti: a sinceridade, a dignidade, a resistência à dor, (...) a aceitação do destino, (...) a benevolência, a liberalidade, a simplicidade, a seriedade, a magnanimidade. Observa quantas coisas podes já conseguir sem que caiba alegar pretextos de incapacidade natural ou inaptidão, e por desgraça permaneces voluntariamente por baixo das tuas possibilidades. Por acaso te vês obrigado a murmurar, a ser avaro, a adular, a culpar o teu corpo, a dar-lhe satisfações, a ser frívolo e a submeter a tua alma a tanta agitação, porque estás defeituosamente constituído? Não, pelos deuses! Faz tempo que podias haver-te afastado desses defeitos”.

Marco Aurélio está se referindo às virtudes, e a famosa obra de Aristóteles Ética a Nicômaco é exatamente isso: um tratado sobre as diferentes virtudes, qualidades que se adquirem, que se forjam e que, em todas as épocas, foram admiradas (ainda que por vezes se desse mais atenção a umas que a outras). A elas se refere à ética e, para toda a experiência do ocidente e boa parte do oriente, as virtudes foram vistas como o fim da educação do homem.

E isso nos traz de volta ao tema da realização e da felicidade, que, para Aristóteles, consiste em ser aquilo para o qual se foi chamado – o famoso “torna-te aquilo que és” do poeta Píndaro. Isto é, justamente a excelência na virtude. O homem cabal é, sobretudo, o homem virtuoso, mesmo quando seus dotes intelectuais ou sua formação cultural não sejam os melhores ou mais completos. E, se as virtudes são inúmeras, ainda mais variados são os caminhos para a excelência – tantos quantos há seres humanos, poderíamos dizer. Cada pessoa, com seus talentos e circunstâncias, tem sua maneira particular de atingir este ideal. O que une todos esses caminhos é a certeza de que na vivência das virtudes em alto nível (a eupraxia, ou o agir bem) está o caminho para a felicidade. Recuperar essa ética da excelência é um passo importantíssimo se queremos construir uma sociedade preocupada com o bem comum. Gazeta do Povo em Nossas Convicções  Felipe Lima  
Do site: http://www.gazetadopovo.com.br

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

ESTÍMULO À MEDIOCRIDADE

A quem o MEC pretende enganar dando nota máxima a redações do Enem que não demonstram domínio básico do português, ou dando bolsas no exterior a universitários que não falam um segundo idioma?


O que se esperaria de uma redação nota 10 – ou nota 1.000, no sistema de pontuação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)? No mínimo, um texto bem escrito, articulado, em que o autor demonstra seu domínio do idioma ao não cometer erros (ou, abusando da boa vontade, não cometer erros grosseiros). Mas, a julgar pela correção das redações do último Enem, os critérios de excelência usados por professores em todo o país estão com os dias contados. Entre os textos com nota máxima no exame do Ministério da Educação estão peças com erros de ortografia como “rasoavel”, “enchergar” e “trousse”, revelou o jornal O Globo, que havia solicitado ao MEC exemplos de redações com nota 1.000.

O Guia do Participante do Enem, ao descrever os critérios de correção da competência 1 da redação (domínio da norma padrão do idioma), que vale 200 pontos, afirma que a pontuação máxima é concedida quando “o participante demonstra excelente domínio da norma padrão, não apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios gramaticais leves e de convenções da escrita. (...) Desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal, excluem a redação da pontuação mais alta”. Mesmo assim, textos com erros de concordância também ganharam nota 1.000, como “Essas providências, no entanto, não deve ser expulsão”, “os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI é (...)” e “o movimento migratório para o Brasil advém de necessidades básicas de alguns cidadãos, e, portanto, deve ser compreendida”.

A justificativa do Inep (órgão do MEC responsável pelo exame) para tal tolerância chega a ofender a inteligência do cidadão comum: os erros teriam de ser relevados porque se trata de “um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior”. Em um sistema educacional minimamente decente, o “processo de letramento” estaria concluído no ensino fundamental, cabendo ao ensino médio apenas o refinamento da forma culta.

Antes esse fosse um caso isolado, mas o mesmo MEC que tolera o “enchergar” e o “rasoavel” em redações com nota máxima também envia para Alemanha, França, Itália e Estados Unidos universitários cadastrados no programa Ciência sem Fronteiras e que não falam alemão, francês, italiano ou inglês. Mesmo sendo incapazes de uma conversação básica no idioma do país onde estudarão, esses brasileiros recebem bolsas, custeadas com dinheiro público, para frequentar cursos que não compreenderão. A descoberta das “redações nota 1.000” mostra que não são apenas as línguas estrangeiras que os universitários desconhecem.

Essas situações revelam que o país vive uma verdadeira cultura da mediocridade. Em vez de incentivar a excelência e a busca pelo melhor desempenho possível, programas governamentais como o Enem e o Ciência sem Fronteiras reduzem cada vez mais seus critérios até que a ignorância se torne aceitável – e, pior ainda, seja recompensada com uma nota máxima em um teste, ou uma bolsa de estudos. Nenhum país que pretenda ser líder em educação, pesquisa e inovação atingirá tal objetivo seguindo uma política de aceitar pacificamente a incapacidade de seus estudantes, justificada com argumentos pífios sobre “processos de letramento” ou remendada com cursos relâmpagos de dois meses que não fazem um universitário conhecer suficientemente um idioma a ponto de entender aulas nessa língua.

A quem estamos enganando? O erro grosseiro de ortografia e concordância que vale nota 1.000 na redação do Enem acabaria com as chances desse mesmo candidato em um processo seletivo para qualquer emprego que exija um mínimo de qualificação. Um bolsista monoglota do Ciência sem Fronteiras terá pouco ou nada a acrescentar ao currículo. É verdade, as metas de estudantes enviados ao exterior ou de vagas preenchidas nas universidades federais usando a nota do Enem serão cumpridas. O MEC poderá exibir orgulhosamente seus índices quantitativos, sempre convenientes em época eleitoral. Enquanto isso, o Brasil vira, pouco a pouco, uma nação de ignorantes diplomados.
Editorial da Gazeta do Povo   Do site: http://www.gazetadopovo.com.br
[23/03/2013]  

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

BRASIL FALIDO NO CARNAVAL E TRUMP PROSPERANDO | REFORMA TRIBUTÁRIA OU V...

VIVER A VIDA SEM SAIR DO LUGAR


Viver a vida sem sair do lugar
Justina Mintz/AMC 
John Slattery, Jon Hamm, Vincent Kartheiser, Christina Hendricks e Kevin Rahm em 'Mad Men'

Passei a vida com gente dizendo para eu viver a vida. Esse conselho não solicitado era oferecido sempre que eu estava no meu canto, absorto e feliz, com um livro na mão. Na ideia simples dos simples, quem lê não "vive" realmente.

O que implica saber que tipo de "vida" pode ser qualificado de "vida". Respirar o ar puro das montanhas? Passear no shopping? Conversar ininterruptamente ao celular? Ir para as redes sociais e rir alto com imagens de gatinhos que sabem como usar o controlo remoto?

Mistério. Quando escutava esses conselhos, o prazer da leitura era suspenso por uns tempos. E uma culpa absurda descia sobre a minha cabeça egoísta. Que fazia eu com um livro quando havia uma "vida" para viver?

Foram precisos anos e anos de luta contra a estupidez para perceber que o problema não estava em mim. Estava nos outros. Eles falavam da vida que não viviam —e inquietavam-se com alguém que parecia vivê-la mais intensamente, embora sem sair do lugar.

Hoje, tenho os meus compromissos profissionais. Adoro a conversa com os amigos, as viagens com a família e os momentos de absurda preguiça —na cama, no mar, até na famosa montanha.

Mas há sempre a sensação desconfortável de que não estou a viver realmente sem um livro na mão. Mesmo os sentimentos mais nobres —o amor, a compaixão, a justiça— me parecem mais reais e fortes nos romances que li do que nas experiências que vivi.

E se existe alguma consciência pesada não é pelos livros que li. É pelos livros que não li.

"Quando morrer, voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar", escreveu Sophia de Mello Breyner. Quase subscrevo essa frase. Quando morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto dos livros. Assim soa melhor.

E quem fala em livros, fala no resto da criação humana. Rebecca Nicholson escreve no "The Guardian" um ensaio primoroso sobre as horas que desperdiçamos com séries televisivas. O verbo, claro, está errado: para Rebecca, o que uns chamam "desperdício" é na verdade uma benção dos céus.

De acordo com uma calculadora da companhia de telecomunicações AT&T, testada pela jornalista, precisamos de 9,1 dias de trabalho (com um horário de 8 horas) para assistir a todo "Mad Men". O mesmo período é exigido por "Game of Thrones". "Dexter", que para mim morreu na 4ª temporada, exige 10,6 dias.

Fui espreitar. Tentei a matemática com as minhas três séries favoritas, mas confesso que não as encontrei. De lapiseira na mão, fiz então os meus cálculos.

"Seinfeld", a mais brilhante comédia da história da televisão, exige 11 dias de trabalho. "The Wire", o mais próximo que a ficção televisiva esteve da grande literatura, consome 7,5 dias. "The Sopranos" vê-se em 10,75 dias.

Por outras palavras: no espaço de um mês, ao ritmo de 8 horas diárias, é possível assistir a três obras-primas que nos acompanham para a vida. E ainda sobram mais 11 meses para respirar o ar puro das montanhas e rir alto com imagens de gatinhos que sabem como usar o controlo remoto.

Passei a vida com gente dizendo para eu viver a vida. O tempo que perdi escutando e matutando esses conselhos foram o verdadeiro e imperdoável desperdício.
Por: João Pereira Coutinho  Publicado na Folha de SP

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O BRASIL PRECISA DECRETAR REORGANIZAÇÃO JUDICIAL JÁ


Todos os candidatos para 2018 até agora possuem como agenda prioritária salvar o Estado.

Não querem admitir ou pior, nem sabem que o Estado, desde as prefeituras, governos estaduais e governo federal estão quebrados, totalmente quebrados.

Todos os candidatos estão em estado de negação, achando que “privatizar tudo”, aumentando o número de multas, tornando o Estado mais eficiente, poderão ainda fazer um “turn around” derradeiro, sem calote nem reestruturação de dívidas.

Isso não existe, passamos o ponto de um “turn around”, o Patrimônio Negativo Acumulado ultrapassa R$ 22 trilhões, não tem como recuperar um rombo desse sem aumentar impostos a níveis impossíveis e inaceitáveis.

Mais inacreditável são estes candidatos convidarem para serem Ministros da Fazenda de seus governos justamente aqueles que por ação ou omissão quebraram o Brasil, como Gustavo Franco com Amoêdo, Persio Arida com Alckmin, Armínio Fraga com Luciano Huck.

Numa reorganização, engenheiros e administradores depois de uma análise de viabilidade identificam o lado podre do Estado, e tentam pelo menos salvar a parte boa do Estado. (Ela existe, sim.)

Financeiros avisam os credores do Estado que seus investimentos em títulos públicos foram para o ralo, e que talvez recuperem 20%, e olhe lá.

Avisam todos os aposentados públicos e privados que as contribuições previdenciárias sumiram.

E que podem no máximo receber salários mínimos para quem não tem família, posses ou capacidade de trabalhar, para que ninguém morra de fome em consequência do sumiço das contribuições.

Lula e Ciro Gomes ainda vendem o peixe que ninguém será prejudicado, que está sobrando dinheiro para pagar a todos, uma mentira.

Se não decretarmos Reestruturação Judicial do Estado, já, os mais espertos ficarão com 100% do que o Estado lhes deve, e o restante, nós, ficaremos com nada, zero, vocês sabem disso.

Não dá para passar o Brasil a limpo sem uma Reorganização Judicial do Estado.

Precisamos decretar falência já, lamber as feridas, e começar de novo com o pé direito.
Por: Stephen Kanitz  Do site: http://blog.kanitz.com.br/


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O DESPREZO PELO CONHECIMENTO

Por aqui, há grande apreço por título, cargo, crachá, além da mania de opinar sobre tudo. É comum ver alguém opinando sobre o que não conhece, não estudou e não pesquisou


Diante de projetos absurdos apresentados por parlamentares no Congresso Nacional, Roberto Campos afirmou certa vez: “O mal do parlamento é que todos que vêm para cá querem fazer alguma coisa”. Em campanhas eleitorais no Brasil, é comum os candidatos à reeleição elogiarem a si mesmos em função da quantidade de projetos de lei por eles apresentados. Também é comum criticar os adversários que, durante o mandato, não tenham apresentado nem um projeto. Como ninguém é cobrado sobre a qualidade e a viabilidade das propostas, fica a impressão de que parlamentar bom é aquele que apresenta muitos projetos de lei.

Atualmente, há muitas propostas paradas nas gavetas do parlamento, as quais vão do absurdo ao ridículo, do inviável ao desnecessário, do jocoso ao trágico. Até aí, se não andarem nem forem aprovadas, não há maiores problemas, além de desperdício de tempo e dinheiro público para sustentar uma máquina de fabricar bobagens. O problema fica sério quando algum projeto de lei absurdo escapa do hospício propositório e vira lei.

O que salva o Brasil de aprovar leis ruins são as gavetas do Congresso, onde morre a maior parte das bobagens 

Vale relembrar alguns projetos apresentados na Câmara dos Deputados, dignos de serem esquecidos. Heráclito Fortes (PSB-PI) propôs que os ventos sejam patrimônio da União, para esta cobrar royalties sobre a geração de energia eólica. Silvio Costa (PSC-PE) propõe que todo ciclista seja obrigado a emplacar sua bicicleta e pagar licenciamento. Pastor Franklin (PTdoB-MG) quer que mulher ou marido traído possam pedir indenização em caso de violação de deveres conjugais – uma espécie de bolsa-adultério.

O povo latino tem enorme disposição para emitir opinião e verdadeiro desprezo pelo conhecimento. Por aqui, há grande apreço por título, cargo, crachá, além da mania de opinar sobre tudo. É comum ver alguém opinando sobre o que não conhece, não estudou e não pesquisou, mesmo que o assunto seja complexo e fora de sua área de conhecimento. São pessoas que falam com a certeza e a convicção que a ignorância confere. É como dizia Will Rogers: “Todos somos ignorantes, apenas em assuntos diferentes”.

Lendo os debates e entrevistas sobre temas como a reforma tributária, reforma da Previdência, tratados internacionais de comércio e regulação do sistema bancário, é assustador o grau de desconhecimento que muitos parlamentares apresentam. Se fosse conversa de boteco, seria apenas perda de tempo sem consequências. O problema é que esses senhores vão tomar decisões e votar as matérias. O que salva o Brasil de aprovar leis ruins são as gavetas do Congresso, onde morre a maior parte das bobagens.

Um ex-presidente, em entrevista quando no exercício do mandato, disse: “Eu não consigo ler muitas páginas por dia, dá sono. Vejo televisão, e quanto mais bobagem, melhor”. Quem chega a presidente de uma nação de 208,5 milhões de habitantes deveria no mínimo se envergonhar de dizer que não lê e não gosta de ler. Mas não: isso é dito sem constrangimento, como se fosse um hábito exótico (ressalva: não importa a que partido pertença, qualquer presidente que diga isso merece reprovação).

Para alguém intelectualmente honesto, a ignorância sobre um assunto deveria levar a duas consequências: uma, a humildade para dizer “não sei” e abster-se de opinar; outra, dar-se ao trabalho de consultar, pesquisar e adquirir conhecimento, principalmente sobre matéria que tenha de votar e impor seus ônus sobre a sociedade. A leitura, a educação e a cultura não existem apenas para fins utilitários, como arrumar emprego ou ganhar dinheiro, mas como meio de o ser humano se elevar acima dos animais e fazer jus à linguagem, consciência e inteligência.
Por: José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.José Pio Martins 

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado Do site: http://www.gazetadopovo.com.br

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

NOSSA SOBREVIVÊNCIA DEPENDE DAS FICÇÕES QUE CRIAMOS SOBRE QUEM SOMOS

O ano termina e a imprensa faz os seus balanços: filmes, livros, discos. Peças de teatro. Peças de lingerie. É um simpático ritual.


Não fujo à responsabilidade: o meu filme de 2017 foi filmado em 2014. Mas isso interessa? Não interessa. Quem perde tempo com pormenores cronológicos arrisca-se a ignorar "Força Maior", o inteligente e subversivo filme de Ruben Östlund que só agora assisti.

Imagine a leitora que era casada com um homem rico, bonitão, atlético. Imagine a leitora que a família resolvia passar férias em resort de ski onde só os abastados podem entrar. Depois de tudo isso, imagine também –atenção: vem aí o "spoiler"– que presenciava uma avalanche de neve no elegante terraço do hotel.
Ângelo Abu/Folhapress 

Primeiro, a beleza do fenômeno, captada pelo onipresente celular. Depois, a avalanche chegando cada vez mais perto, estranhamente perto, perigosamente perto.

Até o momento em que há pânico entre os hóspedes, gritos, fugas apressadas –e o maridão rico, lindo, atlético decide instintivamente fugir, deixando para trás a leitora e os dois filhos.

Felizmente, foi apenas um medo infundado –a neve ficou ainda longe do terraço. Mas podemos dizer, para usar a linguagem moderna, que a relação está com problemas?

Poder, podemos. Mas a vida continua e, no fim das contas, ninguém é perfeito –certo?

Errado, responde Ruben Östlund. Sobretudo quando o maridão regressa para a família, fazendo de conta que nada se passou. Mas nós sabemos, a mulher sabe, que tudo se passou naqueles segundos. Uma quebra de masculinidade, digamos; o maridão rico, lindo, atlético revelou a sua covardia.

"Força Maior", como o título indica, é um tratado sobre as forças maiores que definem as nossas vidas. Superficialmente, temos a força maior da natureza, que, de vez em quando, esmaga as vaidades humanas com esplendorosa brutalidade.

Mas o que interessa para Östlund não são as forças "exteriores"; são, antes, as forças "interiores", primitivas, instintivas que a civilização reprimiu (obrigado, dr. Sigmund) mas que nunca nos abandonam completamente.

No início, a família representa essa civilização com todos os símbolos do conforto "burguês": cartão de crédito generoso, roupa sofisticada para brincar na neve, até escovas de dente elétricas para eliminar as cáries com maior eficácia. Mas basta um soluço da natureza para que a fêmea proteja as crias –e o macho desapareça para salvar a pele.

Visualmente, esse contraste entre "civilização" e "estado de natureza" é reforçado pelos espaços centrais da narrativa: de um lado, o hotel de luxo; do outro, a paisagem gélida, desértica, quase lunar.

Mas o melhor do filme não está apenas nesse momento fugaz em que o animal humano, medroso, visceral, suplanta o ser civilizado. Está na pequena fenda que ele abre entre o casal. Sim, eles tentam ignorar, depois dialogar, depois fazer piada, depois enterrar o assunto com uma trégua racional.

Só que a fenda nunca desaparece; a mulher nunca se esquece –e o maridão começa a minguar aos nossos olhos, aos olhos da família, aos seus próprios olhos, até ser um farrapo de homem em busca de redenção.

Essa redenção surge por obra e graça da mulher, que oferece ao marido uma nova máscara de bravura. Só então percebemos como a nossa sobrevivência depende das ficções que criamos sobre as pessoas que somos. Sem essas mentiras piedosas, poucos suportariam a imagem crua da mais básica bestialidade.

E se o leitor pensa que jamais, em tempo algum, imitaria o amedrontado homem que abandonou mulher e filhos, cuidado: ignorar o animal que habita em nós é a forma mais imediata de nos comportarmos como ele.

*
P.S. Na coluna da semana passada, falei de Gore Vidal como um dos maiores ensaístas do século 20. Alguns leitores pediram bibliografia sobre o assunto. Aconselho três livros para saborear o talento do homem.

O primeiro é "United States", volume colossal com 40 anos de meditações sobre política, artes e assuntos pessoais. Os outros dois são os volumes de memórias "Palimpsest" e "Point to Point Navigation".

Sobre William Buckley, a sua nêmesis ideológica, recomendo "Miles Gone By" –a autobiografia de um conservador americano que ficaria horrorizado com o estado a que os republicanos chegaram.
Por: João Pereira Coutinho  Publicado na Folha de SP

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

FEMINISMO DE HOJE É TÃO REACIONÁRIO QUANTO O MACHISMO NEANDERTAL


Passei as festividades natalinas lendo Camille Paglia. Não sei se é pecado. Talvez seja. Mas que alegria –e que prazer!– ler uma feminista com atividade cerebral completa, que não se limita a defender a dignidade das mulheres –mas a dos homens também.

O título da sua coletânea de ensaios –"Free Women, Free Men: Sex, Gender, Feminism" (libertem mulheres, libertem homens: sexo, gênero e feminismo)– diz tudo: queremos uma sociedade de mulheres e homens livres –ou uma farsa infantil onde as mulheres são tratadas como espécies protegidas e os homens como selvagens inimputáveis?

O feminismo de Paglia, que provoca horrores mil nas "neofeministas", pode parecer demasiado severo para a sensibilidade histérica dos nossos dias. Mas subscrevo esse feminismo, não apenas por razões intelectuais –mas pessoais.

Cresci entre mulheres. Vivo entre elas. E quando relembro as mulheres da minha vida todas elas parecem encarnar o ideal de Paglia. Independentes. Irônicas. Corajosas. Que, sem surpresas, sempre gostaram de partilhar o espaço com homens adultos, dignos, refinados.

Para Paglia, o novo feminismo abandonou esse imperativo de exigência para que as mulheres sejam "amazonas", ou seja, senhoras da sua liberdade. Transformou as mulheres em seres débeis e vulneráveis, que devem ser constantemente protegidas de um mundo hostil e predatório.

Nota importante: Paglia não nega que o mundo é hostil e predatório. Sempre foi, sempre será. Ela apenas reafirma que as mulheres devem aprender a lidar com isso, não a retirar-se da arena como seres assustadiços.

Infelizmente, a voz de Camille Paglia foi abafada pela cultura da vitimização reinante. A Europa, nesse quesito, é terra devastada.

Leio na imprensa que a virada do ano em Berlim teve, pela primeira vez, uma "zona segura" para as mulheres. Em 2016, centenas foram abusadas por homens de "aparência árabe e norte-africana". Em 2017, houve uma espécie de "resort" para as espécies femininas que se sintam ameaçadas –e com a presença permanente da Cruz Vermelha.

Pode parecer piada. Ou cenário de guerra. Não é. As autoridades do país entenderam que a melhor forma de proteger as senhoras é pela segregação social (como nos países islâmicos). Será preciso elaborar sobre a aberração?

O papel de uma sociedade política civilizada não passa pela separação dos sexos. Passa pela garantia de segurança e ordem para todos. E de punição exemplar para os criminosos, independentemente da etnia, religião ou tara privada.

Será que a única coisa que o feminismo do século 21 tem para oferecer às mulheres é uma jaula? E não será essa oferta um insulto e uma degradação das próprias mulheres?

Mas a Alemanha não é caso isolado. Na Suécia, há uma nova lei a caminho para punir a violação. O premiê Stefan Löfven fala em "reforma histórica" –e eu tremo: relações sexuais, só com "consentimento explícito". Mas de que "consentimento" falamos? Verbal? Gestual? Só vejo uma forma de produzir uma prova de inocência irrefutável: um documento escrito.

Imagino: dois amantes, em momento de excitação. Subitamente, um deles para o andamento da dança e entrega um formulário para ser preenchido e assinado pela donzela arfante.

Dizer que isso é um dramático "turn-off" é um eufemismo. Mas não é um eufemismo declarar que uma lei dessas, mesmo na versão oral ("sim, declaro solenemente que tens a minha autorização para contatos fálico-vaginais"), é uma caricatura grotesca da intimidade entre adultos.

Será que a única coisa que o feminismo do século 21 tem para oferecer às mulheres é um papel e uma lapiseira?

Não tenho filhas. Se tivesse, Camille Paglia seria leitura obrigatória. Só para que elas aprendessem que as mulheres não são vítimas naturais de um mundo que existe para as amedrontar ou violar.

As mulheres devem ser mulheres: livres, independentes, conscientes do seu poder sexual, capazes de avaliar os riscos (e os homens) sem a mão paternalista de outras mulheres (ou de outros homens) que gostam de defender as suas "honras".

"Defender a honra?" Precisamente. O feminismo contemporâneo é tão reacionário como o machismo neandertal: ambos tratam as mulheres com a mesma condescendência. Ambos olham para as mulheres como o "sexo fraco".

É o eterno retorno.
Foto Ângelo Abu/Folhapress
Por: João Pereira Coutinho  Publicado na Folha de SP

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

PERDER PARA UM DÉBIL MENTAL DIZ MAIS SOBRE OS RIVAIS DO QUE SOBRE O DÉBIL


Pois é: sou um fraco. Li "Fire and Fury: Inside the Trump White House" (fogo e fúria: por dentro da Casa Branca de Trump), o livro-escândalo de Michael Wolff sobre o primeiro ano do nosso Donald aos comandos do mundo. E gostei.

Sejamos sinceros: não sei –alguém sabe?– se os fatos que Wolff relata estão certos ou errados. Talvez sim, talvez não. Isso interessa? Para mim, nem um pouco. Como escreveu Mick Brown para o "Daily Telegraph", se aquilo não é verdade, parece verdade.

Essa, aliás, é a melhor definição de ficção que conheço –e, se Wolff não é um jornalista íntegro, pelo menos é um romancista talentoso: ele cria um mundo verosímil e nos transporta lá para dentro.

Os diálogos, por exemplo, conseguem a proeza de definir personagens em poucas palavras –cada uma com sua voz própria, gramática própria, ritmo próprio. Quando Trump fala, nós conseguimos escutá-lo nas páginas da obra. O mesmo acontece com Steve Bannon, a filha Ivanka e o genro Kushner.

Mas não é apenas a linguagem que é plausível. É a "atmosfera" criada. No "Telegraph", o mesmo Mick Brown fala de uma mistura de "Sopranos" com Kafka. Assino em baixo. Embora eu talvez acrescentasse um pouco de Luis Buñuel (na sua fase mexicana).

Vejamos a noite da vitória. Quando saem os resultados, a reação primeira de Trump é choque e pavor. Como o príncipe da Dinamarca, ele parece ter visto "um fantasma".

Mas é terror que dura pouco: depois da pergunta inevitável (como foi que isso aconteceu?), a certeza inevitável (isso só podia acontecer a um gênio como eu). Existe alguém que não consiga imaginar essa sucessão de estados de espírito no personagem em causa?

Aliás, o melhor do livro está nesses pormenores cotidianos que constroem (e destroem) o presidente. Como o medo de ser envenenado –um clássico de qualquer imperador romano, embora em Roma não existisse McDonald's para salvar o dia. Ou a solidão da besta, encerrada no seu quarto, comendo cheesebúrgueres e tendo o celular como única companhia.

E fora do quarto?

O caos. Um caos infantil, paranoico, surreal. Lá encontramos o defunto Steve Bannon tentando afastar qualquer conselheiro que diminua a sua autoridade sobre o Donald. Lá encontramos Ivanka, a pérfida, sonhando com uma candidatura presidencial futura –e revelando aos amigos, entre risos, a mecânica do cabelo do pai (demasiado complexa para explicar aqui).

E também temos o genro, Jared Kushner, desprezado por Trump como um "suck-up" (um reles bajulador, exatamente como eu o imagino pelo seu ar lânguido e timorato).

Uma vez mais, Wolff escolhe as palavras com mestria, mexendo com os preconceitos do público e cobrindo a prosa com um verniz de autenticidade que não está ao nível de qualquer um.

Para Trump, Bannon é "desleal" (e sempre com "um ar de bosta"; difícil discordar). Reince Priebus, ex-chefe de gabinete, é um "fraco" (e demasiado baixo, quase "um anão"). Sean Spicer, ex-porta-voz da Casa Branca, é "estúpido" (e igualmente foleiro). Etc. etc.

Não é preciso uma grande "suspensão da descrença" para imaginar Trump com esses comportamentos. Moral da história?

Para Wolff, o presidente não é apenas "impreparado" (a descrição de Trump aprendendo a Constituição americana é um primor de comédia: pelos vistos, o Donald perdeu o interesse a partir da Quarta Emenda –um "gag" digno de Woody Allen).

Trump, no retrato de Wolff, é um débil mental –e a Casa Branca é uma espécie de asilo psiquiátrico tomado de assalto pelos próprios doentes.

Claro que uma tese dessas, apesar do talento literário, choca frontalmente com duas perguntas óbvias a que Wolff é incapaz de responder.

A primeira é tentar explicar como foi possível a um débil mental vencer as eleições presidenciais. Não existe aqui uma terrível contradição?

A segunda pergunta, que procede da primeira, é ainda mais desconfortável para a "intelligentsia" progressista: se Trump é um débil mental, que dizer dos que perderam para ele?

É por isso que, depois de ler o livro, a minha última gargalhada não foi para Trump. Foi para os adversários de Trump, que gostam de exibir um estranho complexo de superioridade.

Perder para um "gênio", como Trump se considera, seria compreensível e até perdoável. Perder para um débil mental diz mais sobre a qualidade dos adversários do que sobre o débil propriamente dito.
Foto: Angelo Abu/Folhapress 
Por: João Pereira Coutinho  Publicado na Folha de SP.

domingo, 21 de janeiro de 2018

GRUPO DE EMPRESÁRIOS CONVOCA ELITE BRASILEIRA PARA ASSUMIR O PROTAGONISMO POLÍTICO

É uma grande alegria estar aqui com você na maior feira de varejo do mundo, neste momento tão especial em que o varejo brasileiro começa a mostrar sinais de recuperação. Somos duros na queda, resilientes, e estamos aqui para dizer ao mundo que não desistimos do Brasil.


Não tenho dúvida de que é o trabalho duro, o brilhantismo e o compromisso com o Brasil de todos vocês que permite que um país mergulhado na pior crise econômica e também ética e moral da sua história possa ter um pouco de esperança. Meus mais sinceros parabéns a todos vocês por esse resultado.

Minha mensagem para vocês hoje não é apenas para aplaudir os bons números da economia e do varejo mas para lembrar como a recuperação econômica do Brasil ainda é frágil, como ainda somos vulneráveis, como cada pequeno avanço que estamos fazendo pode nos deixar esquecer o tamanho do abismo que está logo na esquina.

O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s na semana passada foi um duro lembrete de quanto ainda temos que caminhar para um crescimento realmente sustentável e que abra mais oportunidades para um país com mais de 12 milhões de desempregados. Cada desempregado é um drama de todos nós, uma família desestruturada, uma vida em compasso de espera, um brasileiro que tem problemas para prover para si e para sua família.

A leve recuperação do Brasil atual não pode significar, de forma alguma, o esquecimento de como chegamos até aqui. O Brasil é um país sem memória, mas não é possível que em pleno ano eleitoral não se fale a cada oportunidade, todos os dias, do período nefasto de quase 15 anos em que uma quadrilha saqueou o Brasil, aparelhou as instituições, usou bancos e obras públicas para enriquecimento privado numa proporção jamais vista e que, espero, nunca mais aconteça.

Não há nada de casual na crise brasileira. Desde 2009, quando nasceu a famigerada e insana “Nova Matriz Econômica”, o Brasil foi jogado num buraco que ainda levaremos muitos anos para sair. E nós varejistas sabemos isso como ninguém, sabemos da dificuldade do povo brasileiro de manter seu nome limpo, de pagar suas contas, de ter condições mínimas de consumo.

O Brasil hoje não tem um governo, é o governo que tem um país que vive para sustentar sua gastança, seu desperdício, seu endividamento, seus ralos bilionários de corrupção e clientelismo, suas regulações insanas, seu intervencionismo retrógrado, sua aversão ao liberalismo e ao empreendedorismo, seu paternalismo autoritário, sua incompetência criminosa e sua fome insaciável por poder, dinheiro e ingerência na vida do cidadão e das empresas. É preciso dar um basta!

O livre mercado não é apenas a melhor arma contra a pobreza, é a única. Todos nós, em algum momento da vida, precisamos fazer uma escolha: ou estamos ao lado dos pobres ou da pobreza. Ou temos amor aos mais necessitados ou temos ódio aos ricos. São sentimentos incompatíveis. Se você é solidário ao pobres, faz tudo para que saiam da pobreza. E é o livre mercado que pode gerar oportunidades e riqueza para todos, especialmente os mais pobres. Quando vamos aprender esta que é a mais básica das lições da história?

Se você quer o melhor para os pobres, você luta por uma sociedade mais livre, que crie mais riquezas e oportunidades para todos. Se você odeia os ricos, você quer expropriar seus bens e destruir sua capacidade produtiva, jogando todos no caos e na miséria. Há décadas que o Brasil optou por odiar os empreendedores, os investidores, os inovadores e os resultados falam por si.

Agora é hora de mostrar que é possível um outro caminho. O próximo presidente governará o país de janeiro de 2019 até o final de 2022. Numa dessas coincidências mágicas, 2022 é exatamente o ano em que o país completará 200 anos do dia em que, às margens do Rio Ipiranga, Pedro I deu o grito que tornou o Brasil uma nação independente de Portugal.

Quero sugerir a todos vocês que chegou a hora de uma nova independência: é preciso tirar o estado das costas da sociedade, do cidadão, dos empreendedores, que estão sufocados e não aguentam mais seu peso. Chegou o momento da independência de cada um de nós das garras governamentais. Liberdade ou morte!

É por isso que estou lançando, junto com outras lideranças da sociedade civil, o movimento Brasil 200 anos. Nós queremos que você diga que país espera para 2022, como você quer o Brasil na comemoração dos seus 200 anos, ao final do mandato dos candidatos eleitos este ano. 2022 começa em 2018, os 200 anos do Brasil começam aqui e agora. Em quatro anos não é possível fazer tudo, mas é possível fazer muito.

Estamos conversando com cidadãos brasileiros para que juntos tenhamos uma pauta comum para entregar aos candidatos ao executivo e ao legislativo com compromisso verdadeiro com a liberdade para que eles saibam, sem sombra de dúvidas, o que o Brasil espera deles. Vamos contribuir com propostas, metas, dados, idéias e, claro, vamos cobrar a cada momento, durante os 4 anos que nos separam do bicentenário, o andamento da implementação destas propostas.

Não é possível que o líder das pesquisas no Brasil para presidente hoje seja não apenas o maior responsável pela crise como um criminoso condenado a 9 anos e meio de prisão em apenas um de inúmeros processos que responde. Que mensagem o país está passando para a classe política e para o mundo? Que aqui o crime compensa? Que o brasileiro aprova a roubalheira? Não é possível que a lição, a mais dura de todas, não tenha sido aprendida.

Eu não espero que toda a imprensa, com honrosas exceções, tenha a isenção de reportar estes fatos durante a campanha, mas espero estar errado. Foram quase 15 anos de uma farra de gastos públicos e créditos subsidiados para os amigos do rei, o que incluiu vários grupos de comunicação que infelizmente jogam contra a estabilidade econômica que estamos buscando hoje com tanta dificuldade sonhando com a volta do dinheiro fácil.

A apropriação privada dos ganhos provenientes de empréstimos de pai para filho dos bancos públicos infelizmente comprou corações e mentes nos últimos anos e muitos fingem não perceber os riscos da volta do projeto bolivariano e cleptomaníaco de poder ao comando do país.

Infelizmente a elite empresarial brasileira, da qual faço parte, não tem liderado como deveria o processo de tornar o Brasil um país mais livre, parte dela sócia do assalto ao estado com prejuízos incalculáveis para a população mais carente. Sem uma elite comprometida de corpo e alma com o progresso, com o avanço institucional, com mais liberdade e menos intervencionismo, com a diminuição do estado hipertrofiado, não vamos a lugar algum.

Por mais que a Operação Lava Jato me orgulhe como cidadão, não tenho como não ficar triste por ver empresários que deveriam estar pensando nas próximas gerações de brasileiros, incluindo em seus próprios filhos, envolvidos nos piores escândalos de corrupção da nossa história. Quantos empresários ainda vivem nas suas pequenas bolhas acreditando que podem tocar suas vidas e seus negócios sem se preocupar com a deteriorização do país, sem lutar pelas instituições, pela ética e pela democracia? Mais cedo ou mais tarde, essa omissão baterá na porta de cada um de nós e cobrará a conta.

Os empresários e empreendedores do país devem ser os guardiões mais intransigentes da competitividade e da liberdade, pré-requisitos para a criação de riqueza que move a economia e a sociedade no caminho da prosperidade e da verdadeira justiça social, com autonomia, dignidade e oportunidades para todos. Chegou a hora de pararmos de ser parte do problema e viramos parte da solução e é essa a convocação que faço hoje para cada um de vocês.

Um país mais livre é também uma declaração de confiança ao nosso povo, uma prova de que juntos podemos construir mais oportunidades para todos, sem a intermediação nefasta da burocracia estatal. Tenho certeza de que cada um de vocês vai tomar parte nessa luta que é de todos nós.

Tenho muita fé no Brasil e nos brasileiros e provo isso saindo da minha zona de conforto e me expondo aqui para vocês na luta para devolver o Brasil aos seus verdadeiros donos, o povo brasileiro. O cidadão independente é aquele que consegue estudar, trabalhar, empreender, gerar valor para a sociedade, para si e sua família, que participa voluntariamente da comunidade e que é solidário com quem precisa.

Peço a todos vocês que participem do Brasil 200 anos com sugestões, propostas, idéias e muito mais. O Brasil 200 só tem um dono: o povo brasileiro, cada um de vocês. Aqui em Nova York, na capital do mundo, podemos nos unir para refundar o Brasil em bases mais livres e solidárias, mais modernas e prósperas para todos. É a minha ideologia, é o meu compromisso, e espero que seja o de vocês também.
Por Flávio Rocha e outros. Artigo publicado em 19.01.2018
Do site: http://www.puggina.org

esse seria o real motivo da rede globo detonar wilian wack?

domingo, 14 de janeiro de 2018

O PROBLEMA DO PODER CONFERIDO A GENTE COM PROBLEMAS


Agora não se pode mais comer carne às segundas...

Acabou o virado à paulista, o prato comercial mais tradicional servido ás segundas feiras em São Paulo. "Iluminados" decidiram, agora, que a linguiça e a bisteca servidos com arroz, ovo, feijão e couve... é infração administrativa, punida com multa, no primeiro dia útil da semana. 

Em verdade, a lei aprovada pelo legislativo paulista decorre da necessidade que muitos têm... de interferir na vida alheia. É o ápice de um regime político comandado por "gente com problema".

Quando gente com problema... era apenas gente com problema.

Quando eu era jovem, tipos extremamente arrogantes ou humildes, muito agressivos ou muito covardes, excessivamente lascivos ou puritanos, invejosos ou soberbos, exageradamente introvertidos ou extrovertidos, intrometidos ou donos da verdade, eram vistos com reserva, porque "tinham problema"...

Havia também aquela gente que trazia na testa a marca de idiota, "afetada", desonesta, rancorosa ou inconveniente. Essa gente devia ser também tratada sem nos deixarmos envolver...

O mundo daquela época era cordial. Não era de bom tom discriminar ostensivamente ou ser deseducado mas... "essa gente com problema devia ser observada com o devido cuidado".

Ocorre que a tolerância imposta pelo regime da Constituição "ZUMBI" de 1988, permitiu aos esquisitos, aos corruptos, aos idiotas, galgarem cargos expressivos na estrutura do Estado brasileiro e ganhar destaque em nossa sociedade.

O nerdismo, o idiotismo, a mediocridade e a covardia, em determinado momento de nossa história, tornaram-se forças hegemônicas, ocupando cargos concursados, galgando nomeações em assessoria a outros idiotas bem postados, aparelhando a mídia idiotizada e...principalmente, tomando conta dos partidos políticos e canalizando votos de outros idiotas.

Nelson Rodrigues já havia identificado esse fenômeno, segundo ele iniciado a partir do momento que os idiotas perceberam-se maioria...

Felizmente, Nelson Rodrigues faleceu sem ter o desprazer de conhecer as supremas idiotias do "politicamente correto"...

A supremacia dos idiotas

O problema, no Brasil...é que, hoje, graças a essa supremacia dos idiotas, passamos a ser tutelados por "gente com problema" - idiotas, imbecis, malandros, hipócritas e psicopatas perigosos, todos postados no comando dos poderes da federação.

Essa cadeia da mediocridade afeta o balcão do cartório do juízo da comarca do interior, o centro acadêmico da fábrica de militontos em que se transformou a universidade pública com cotas para tudo, cargos importantes nos poderes da República e até a municipalidade perdida no rincão do país. Tudo está dominado pela supremacia do tipos problemáticos...

Assim, direitos do cidadão tornaram-se crimes, a inteligência passou a ser ameaça, a riqueza honesta virou desaforo, o crime atividade respeitável, a saúde pública desculpa e a justiça... válvula de escape para tiranetes.

Hoje, gente com problema decide, corrompe, investiga, acusa, fiscaliza, aplica e...principalmente, faz a lei.

Exemplos dos danos que essa gente imbecil causa ao país, não faltam. Basta ler o diário oficial ou ouvir a "Voz do Brasil" (programa este, certamente feito para gente com problema).

De fato, não há limites para a mediocridade. Jamais se poderá subestimar um imbecil (ele sempre se supera...). Por isso, não surpreende que Deputados estaduais tenham aprovado e pretendam tornar lei a chamada "Segunda sem Carne" no Estado de São Paulo. No parlamento paulista, até mesmo políticos inteligentes encontram-se envolvidos na névoa da idiotia institucional - difícil de evitar.

Se sancionado o projeto aprovado pelo governador Geraldo Alckmin, o cidadão paulista ficará privado de consumir proteína animal às segundas feiras e será proibido o fornecimento de carne em bares, restaurantes e refeitórios de órgãos públicos, todo primeiro dia útil da semana.

Virado à paulista afeta o clima do planeta

Um primor de inconstitucionalidade, constitucionalmente justificado pelos bem intencionados, aparentemente preocupados com a saúde alimentar do cidadão paulista... e com o clima do planeta.

A medida, dizem os pressurosos deputados neo-naturebas, é sustentada por estudos médicos, econômicos e climáticos - relacionados ao papel da proteína animal no organismo humano, no manejo da pecuária, nos impactos da flatulência e da aerofagia na atmosfera e no clima. 

O instinto de imitação, herdado dos símios, de "copiar" padrões da "Europa-Maravilha", com o apoio de celebridades do mundo Pop e comedores de sucrilhos (orgânicos), também integrou o cardápio lotado de ingredientes ecológicos e vegetarianos. 

Lideranças importantes do mundo ambientalista surgiram para apoiar a lei "vegano por um dia" - incluso parlamentares com currículo respeitável nesse campo, próceres de uma convicção que remete à educação alimentar e ao convencimento político - JAMAIS, porém, á imposição legal. 

Todo esse discurso pretensamente natureba e fortemente paternalista não condiz com a garantia democrática da autonomia privada do cidadão, cada vez mais limitada pelo Estado no Brasil.

Impor uma mudança de habito alimentar e interferir no mercado de alimentação e abastecimento - por meio de uma "lei de calendário", configura inaceitável invasibilidade. Desequilibra o pluralismo democrático e fere o conceito de "bem comum". 

Afinal, o que seria um "bem comum", ou na visão de Rousseau, uma "vontade geral" que justificaria tamanha interferência do Poder Público na livre iniciativa e na livre escolha do cidadão? A convicção de grupos de pressão "bem intencionados" em busca de um maior "equilíbrio ambiental" no planeta... às segundas feiras? 

Esopo já preconizava que todo tirano exerce sua tirania buscando pretextos justos. O psicanalista Jorge Forbes também já ponderou que normas proibitivas de hábitos individuais geralmente decorrem da necessidade que muitos têm... de interferir na vida de outros. Vale dizer, leis como a da "segunda sem carne", fazem a festa dos que "têm problema".

Diria Freud, se estivesse vivo: "sintomático"...

Desastre jurídico e conceitual

Do ponto de vista jurídico, a medida é um desastre conceitual. Na relação material de custo-benefício, o "interesse público" em causa não resiste à notória assimetria do conflito de natureza conceitual e difusa em causa. Vale dizer: o entendimento de "interesse público" sobre os interesses da cada um, no campo das assimetrias envolvendo interesses difusos - intrinsecamente conflituosos - é igualmente difuso e intrinsecamente conflituoso.

Tendo por parâmetro o Estado Democrático de Direito e o direito á dignidade e às escolhas privadas (incluso as alimentares), o marco legal votado pelo parlamento paulista, não passa de entulho autoritário - imposição de grupos ideologicamente vocacionados que pretendem exercer o monopólio da virtude ambiental, ditando normas de conduta aos outros (no caso, á população paulista). 

Todo cuidado é pouco quando se trata de delimitar autonomias e adicionar na grade de restrições legais, convicções plenas de invasibilidade que irão interferir no cardápio de restaurantes, no regime alimentar de funcionários públicos e na alimentação de crianças em idade escolar. 

Choca, outrossim, constatar que essa norma estrambólica foi editada pela mesma assembleia legislativa que, não faz muito tempo, transformou em circo a CPI da Merenda Escolar - um crime de corrupção inaceitável que afetou a alimentação de milhões de crianças. Agora, pelo visto, o parlamento paulista resolveu vestir o cidadão com uma tanga de crochê e colocá-lo no centro do picadeiro, sem direito a picadinho (às segundas, bem entendido...).

Para essa "gente com problema" devemos mesmo ser hiposuficientes - uma gentalha que clama para ser cuidada por agentes públicos tão bem intencionados quanto incompetentes. 

Não é novidade. Já foi assim com o desarmamento civil, com os juros bancários, com a burocracia cotidiana, com os serviços de saúde, o transporte público, o fisco, as normas de trânsito, etc... 

Portanto, no caso da "Segunda Sem Carne", pouco importa o hábito alimentar ou a escolha do cidadão. Algum imbecil, doravante, cuidará disso para todos nós... incluindo nossos irmãos que não comem carne também nos outros dias da semana, porque não têm dinheiro para comprar.

O virado a paulista tornou-se uma questão de saúde pública. 

E não se surpreendam. É quase certo que o governador sancionará a obra prima dessa gente problemática. 

Afinal, os idiotas votam...
Por: Antonio Fernando Pinheiro Pedro, advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio diretor do escritório Pinheiro Pedro Advogados. Integrante do Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB e Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa - API. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View. 
Do site: http://www.theeagleview.com.br/