sexta-feira, 26 de maio de 2017

PAI DA "HIPÓTESE GAIA" SE ARREPENDE DO SEU ALARMISMO

A grande mídia martela incessantemente no mito do “aquecimento global”. E agora que a nova administração americana afasta ideólogos de esquerda que defendiam esse mito na EPA (Environmental Protection Agency), espécie de Ministério de Meio Ambiente, a gritaria midiática ficou mais forte.

Mas essa mídia não informa que até o glorificado ambientalista inventor da ainda mais fantasiosa “hipótese Gaia” há alguns anos havia se afastado do “alarmismo” em matéria de “mudança climática”.

James Lovelock, criador da hipótese ambientalista segundo a qual a Terra formaria um só organismo “vivo” apelidado “Gaia”, admitiu em entrevista à MSNBC que foi “alarmista” a respeito de “mudança climática”.

À guisa de desencargo de consciência, comentou que também outros ambientalistas famosos, como Al Gore, caíram no mesmo erro.

Um dos pais fundadores do ambientalismo hodierno, Lovelock tem esperança de que a suspirada “mudança climática” ainda aconteça, mas lamentou que não virá tão rápido quanto ele anunciava.

Em 2006, em artigo no jornal inglês “The Independent”, Lovelock escreveu que “antes do fim deste século bilhões de homens terão morrido e os poucos casais que sobrevivam ficarão no Ártico, onde o clima ainda será tolerável”.

Agora, em entrevista telefônica à MSNBC, reconheceu que estava “extrapolando demais”.

Parafraseando os argumentos dos cientistas objetivos, explicou:

“O problema é que não sabemos o que é que o clima vai fazer. Há 20 anos nós achávamos que sabíamos. Isso nos levou a escrever alguns livros alarmistas – o meu inclusive – porque parecia evidente, porém não aconteceu”.

– “O clima está fazendo suas trapaças habituais. Em verdade, não há muita coisa acontecendo ainda, quando nós deveríamos estar num mundo a meio caminho da fritura”.

– “O mundo não se aqueceu muito desde o milênio. Doze anos é um tempo razoável … ela [a temperatura] manteve-se praticamente constante, quando deveria ter ido aumentando”.

Em 2007, a revista “Time” incluiu Lovelock na lista dos 13 líderes e visionários “Heróis do Meio Ambiente”, onde também figuravam Al Gore, Mikhail Gorbachev e Robert Redford.

Interrogado se agora tinha virado um “cético” do aquecimento global, Lovelock respondeu à MSNBC: “Depende do que o Sr. entende por “cético”. Eu não sou um negacionista”.

Ele explicou que ainda acredita que a mudança climática esteja acontecendo, mas que seus efeitos serão sentidos num futuro mais longínquo do que se acreditava. “Teremos o aquecimento global, mas ficou adiado um pouco”, explicou.

“Eu cometi um erro”
Lovelock esclareceu que não se importava em dizer: “Tudo bem, eu cometi um erro”.

Na entrevista, ele insistiu que não tirava uma só palavra de seu livro base “Gaia: um novo olhar dobre a vida na Terra”, publicado em 1979. Mas reconheceu que no livro “A vingança de Gaia”, de 2006, ele tinha ido longe demais falando da Terra superaquecida no fim do século.

– “Eu deveria ter sido um pouco mais cauteloso, porém, teria estragado o livro”, brincou cinicamente.

Militantes ambientalistas só puderam concordar, embora desanimados, com o mea culpa de Lovelock.

Peter Stott, chefe do monitoramento do clima no Met Office Hadley Centre, da Inglaterra, disse que o guru foi alarmista demais prevendo que os homens seriam obrigados a viver no Ártico por causa do “aquecimento global”. Também concordou que o aquecimento dos últimos anos foi menor do que o previsto pelos modelos climáticos.

Keya Chatterjee, diretor internacional de política climática do grupo ambientalista WWF-EUA, disse em comunicado que estava “difícil não se sentir esmagado e ficar derrotista”, e sublinhou que a conversa alarmista não ajuda a convencer as pessoas.

A credibilidade das hipóteses ambientalistas está efetivamente caindo cada vez mais baixo.
Por: Luis Dufaur edita o blog ‘Verde, a cor nova do comunismo’ – http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com  Do site: midiasemmascara.org
 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

HEITOR E AQUILES: DOIS CAMINHOS PARA A MASCULINIDADE


Aquiles matando Heitor, de Rafael Tejeo, 1825

Para os antigos gregos, a Ilíada de Homero era a Bíblia em Andreia – Isto é, masculinidade, principalmente coragem masculina.

Diziam que Alexandre o Grande mantinha uma edição especial do poema épico (preparado por seu tutor Aristóteles) debaixo do travesseiro durante suas conquistas, e a lia costumeiramente. Para Alexandre, Aquiles era a andreia encarnada, e desta forma o jovem rei moldou sua vida no exemplo dele.

Quando começara sua conquista na Ásia, Alexandre tomou uma rota passando pelo túmulo de Aquiles e lhe prestou homenagem. Toda vez que ele duvidava de si mesmo, rezava à mãe de Aquiles, a Deusa Tétis, por consolação. Quando seu melhor amigo e general, Heféstion, foi morto em batalha, Alexandre lamentou profundamente, tal qual Aquiles, que sofrera por seu melhor amigo, Pátroclo.

Muitos jovens desde Alexandre tem encontrado inspiração em Aquiles, o poderoso e esguio guerreiro. Por que ele encarna um ideal que eles, do fundo de suas vísceras, ardentemente desejam: coragem indomável e potência física.

Ainda que Aquiles seja a perfeita encarnação de andreia, e tenha sobre si toda atenção e adulação, há outro personagem que exemplificou a masculinidade também na Ilíada, e que na realidade provê melhor caminho de como a maioria dos homens pode alcançar tal modelo.
Aquiles: sendo viril

Nada podia parar Aquiles na batalha. Não temia a ninguém, nem mesmo o Rei Agamenon, o líder eleito dos gregos em Tróia.

Aquiles era rápido, ágil e forte. Ele fez com que proezas heroicas parecessem fáceis.

Seu thumos, ou vivacidade, era intensa, tão forte que poderia apossar-se dele enquanto massacrava o inimigo no campo de batalha.

A reputação de Aquiles devido a sua virilidade era tão grande que os troianos esconderam-se de medo quando viram Pátroclo a caminhar no campo de batalha vestido com a armadura de seu amigo, confundindo-o com o lendário guerreiro.

Aquiles era também um homem vistoso. Homero o descreveu como “bonito”. Faz sentido que Brad Pitt tenha interpretado Aquiles na adaptação cinematográfica da Ilíada.

Obviamente, Aquiles possuía algumas falhas importantes. Sua fúria desmesurada, o senso de honra exagerado, e o calcanhar vulnerável, tudo isto levou-o a ruína precoce. Contudo este era o preço que tinha que ser pago para imortalizar sua virilidade perfeita e assegurar o legado de que as pessoas continuam a falar ainda hoje sobre sua excelência na guerra e na coragem.

Ainda assim, fazer de Aquiles um exemplo impõe uma dificuldade significativa para nós meros mortais… Porque Aquiles não foi um mero mortal.

Sua mãe era uma deusa, fazendo dele um semideus guerreiro. Aquiles não teve que moldar sua andreia. Não poderia ser nada além de corajoso, viril e belo; isto já estava edificado em seu DNA divino. Aquiles saiu do útero já homem. Andreia era parte de seu ser.

Deste modo, enquanto a andreia de Aquiles pode certamente servir como um modelo, sua vida não é um modelo para a maioria dos homens imitar, a não ser, é claro, que sua mãe seja uma deusa imortal do Olimpo.

Há, todavia, um personagem da Ilíada que nos provê um prestimoso ideal para os homens no aperfeiçoamento da andreia. E este é precisamente o inimigo mortal de Aquiles: Heitor, o príncipe de Tróia.
Heitor: Aprendendo a masculinidade

Por nove longos anos, Heitor liderou os defensores da cidade de Tróia contra o assalto grego. Ele era um guerreiro forjado nas batalhas, e, tal qual Aquiles, tinha a reputação devido a sua andreia.

Porém Heitor era diferente de Aquiles. Era 100% mortal. Diferentemente de Aquiles, que nasceu com Andreia, Heitor teve que apreendê-la. Ele até admite isso na cena que talvez seja uma das mais emocionantes da literatura Ocidental.

Heitor, exausto da batalha e coberto de poeira e sangue após impedir a incursão de tropas gregas, retorna para dentro da muralha de defesa troiana para descansar. E lá ele encontra sua leal e carinhosa esposa Andrômaca que lhe implora para não voltar ao combate, temerosa que na próxima vez seu marido retorne em cima do escudo, em vez de tê-lo no braço.

Heitor, ainda com sua armadura, confessa à esposa que compartilha do mesmo medo. Quão in-Aquiliano! Aquiles teria respondido com uma risada, com vanglória, mordazmente replicaria sua esposa para não ocupar sua pequena cabecinha com isso.

Conforme ele revela para Andrômaca:

“Tudo isto pesa em minha consciência, querida.
Contudo eu morreria de vergonha ao ter que encarar os homens de Tróia e as mulheres troianas a arrastar suas longas togas se me recolher agora da batalha, como um covarde.

Nem meu espírito deseja que seja dessa forma.
Aprendi tudo muito bem. A encarar com bravura, sempre lutar junto ao soldados troianos no front, para dar glória a meu pai, e a mim mesmo.”

Você notou? Frisei em negrito para ajudar.

Heitor fala que aprendeu como ser bravo e como lutar. Ele experimenta a coragem não como a falta de medo, mas como a prática de sentir medo, e ainda assim decidir seguir em frente.

A tradução de “aprender” para o grego é didaskein, e o professor de inglês David Mikics sabiamente notou que didaskein não é citada nenhuma parte de Ilíada como um caminho para apreender bravura ou masculinidade. Somente foi usada nesse contexto. Homero está claramente criando um contraste entre Heitor e seu instintivamente feroz rival, Aquiles.

Enquanto Aquiles nasceu já homem, Heitor teve de aprender andreia. Teve que aprender como ser agressivo e forte o que nos sugere que isto não estava em sua natureza.

Em vez disso, Heitor foi por natureza um homem gentil. Não, não falo de um bonzinho palerma insuportável. Trata-se de um homem genuinamente bom, piedoso, e atencioso com os outros. Há um motivo para ele ser caracterizado assim na Ilíada; por exemplo, enquanto os outros culpavam e se ressentiam por Helena ter começado a Guerra de Tróia, Heitor foi em sua direção para mostrar-lhe compaixão.

Ademais, subsequente a confissão à esposa de que teve que aprender andreia, seu filho caçula, Astyanax, o vê com sua armadura coberta de sangue, e, não reconhecendo o pai, começa a gritar. Heitor, rindo, tira o elmo, pega o filho nos braços e o joga para cima enquanto lhe dá beijos, da forma que vemos hoje os pais fazerem.

Heitor era um bom homem. Esposo carinhoso e pai amoroso.

Todavia ele compreendeu que a bondade deve estar embasada na virilidade. Heitor reconheceu, tal qual Theodore Roosevelt fez milênios depois, que “Se não mantivermos virtudes bárbaras, será de pouco proveito obter as virtudes civilizadas”.

E ele passou sua vida inteira aprendendo aquilo que não era de sua natureza, mas que desejava para viver sustentado em andreia. Aprendeu pela observação e pela prática a ser bravo, destemido, e forte. Heitor se dedicou a educar-se em masculinidade viril.
Heitor: um companheiro na jornada pela masculinidade

Me identifico com Heitor. Eu me vejo como um “bom homem”. Sou naturalmente propenso a ser gentil e amigável com os outros. E da mesma forma que Heitor, sou um pai de família. E quanto a ser um andros? Um homem corajoso, feroz, guiado pelo Thumos, fisicamente apto e viril?

Isso é algo que tive que aprender e continuo aprendendo. Não está em minha natureza. Se eu somente seguisse minhas preferências, provavelmente ficaria muito tempo sentado em uma cadeira, jogando vídeo game e comendo nachos. Mas porque eu acredito que desenvolver a andreia é essencial para conseguir arête (excelência) e eudemonia (vigor) como homem, e porque eu valorizo a bondade e anseio que outros tenham a oportunidade de buscar arête também, a cada dia eu me esforço para desenvolver a força e a coragem para assegurar essa possibilidade.

Tenho cruzado com alguns homens que são parecidos com Aquiles. Eles nasceram com andreia. Eles eram naturalmente corajosos, de condição física perfeita, e sentiam-se confortáveis com o perigo mesmo quando eram crianças. Quando conheci esses homens, me senti atemorizado. Como Aquiles, eles encarnam um ideal de virilidade e masculinidade que não posso deixar de respeitar, ainda que sejam um pouco toscos.

No entanto, mesmo sendo inspiradores, esses homens não nos providenciam modelos de como desenvolver esse tipo de andreia. Seria como perguntar ao Usain Bolt como nos tornarmos corredores mais rápidos. Primeiro passo: seja o Usain Bolt. Não é muito útil.

Em vez disso, eu prefiro buscar por homens que são “gentis” por natureza como foi Heitor, mas que tiveram que aprender a ser ferozes. Esses homens terão algumas sugestões a dar. Theodore Roosevelt, Frederick Douglass, Winston Churchill, meu avô, e Eric Greitens são apenas alguns desses “Cavalheiros Bárbaros” em quem procuro um norte de como adquirir uma educação autodidata em andreia.

Boa parte dos homens que encontrei são parecidos com Heitor. Eram bons homens que tiveram que trabalhar para ser másculos. Pode ser muito fácil se sentir inseguro sobre o fato de que constantemente você tem que aprender e reaprender a ser homem. Os similares a Aquiles algumas vezes zombam da ideia de aprender a arte da masculinidade, e demonstram descrença ao saber que outros homens não sabem algumas técnicas desde pequenos, e não encarnam certos traços intuitivamente.

No entanto tal insegurança é inapropriada, e esse tipo de julgamento é improdutivo. Poucos homens saem do útero com pelos no peito ou simplesmente absorvem as habilidades e traços da masculinidade. Muitos grandes homens através da história tiveram que dispor-se intencionalmente a aprender a masculinidade, inclusive Heitor.

Nascer ou aprender. Esses sãos os dois caminhos para a andreia. Para a maioria de nós, aprender é o caminho a ser tomado. É o caminho em que eu estou, ao menos. O site The Art of Manliness é o lugar onde eu compartilho algumas das ideias que coletei na minha jornada. E tem sido ótimo conhecer outros Heitores – bons homens – no percurso, que também tomaram a decisão consciente de aprender a masculinidade.
Por: Brett Mckay, “Hector and Achilles: Two Paths to Manliness”, do site Art of Manliness.
Tradução: Jay Messi
Revisão: Humberto Motta
http://tradutoresdedireita.org  Do site: midiasemmascara.org


segunda-feira, 22 de maio de 2017

A FARSA SE REPETE: A "RÚSSIA CRISTÃ", DE STALIN A WLADIMIR PUTIN

A “nova Rússia” está extremando seus artifícios para tentar cativar cristãos e conservadores no Ocidente.


O curioso é que essa artimanha não é nova. Já foi tentada pelos serviços secretos soviéticos em outras circunstâncias, notadamente nos tempos de Stalin, a quem Vladimir Putin se refere como seu modelo de governante.

O procedimento foi tão desprovido de moralidade que na época não pareceu acreditável. O Pe. Robert A. Graham S.I. há mais de 30 anos lhe consagrou um alentado estudo no qual pode restaurar os inacreditáveis procedimentos da guerra da informação russa.

O trabalho apareceu na revista “La Civiltà Cattolica” nº 3186, de 19 de março de 1983 (págs. 533 a 547). Fundamentamos este artigo nessa conscienciosa matéria publicada sob o título: “A cruzada de Stalin contra «o anticristo» Hitler – A «Rádio cristã» do Komintern em 1941” (“La crociata di Stalin contro «l’anticristo» Hitler – La «Radio cristiana» del Comintern nel 1941”).

Em 1941, Hitler invadiu Rússia sem atender a aliança conhecida como pacto Ribbentrop-Molotov (23 agosto 1939) em virtude do qual Moscou e Berlim aliadas desencadearam a II Guerra Mundial.

Pouco depois, os radioamadores ficaram surpresos ouvindo uma linguagem inesperada vinda da Rússia dos sovietes.

Nas ondas da Rádio Moscou os cristãos eram exortados a se unirem pela defesa da cristandade.

Os locutores de Moscou louvavam os católicos alemães que resistiam às perseguições nazistas, citavam os sofrimentos dos católicos poloneses e de outros países ocupados pelo nazismo.

A emissora se definia como “Rádio Cristã” e reproduzia a mensagem evangélica numa media dúzia de línguas com tal fidelidade que muitos poderiam ter achado que ouviam a Rádio Vaticana.

O semanário católico londrino “The Tablet”, em 19 de julho de 1941, comentou “a denúncia diária que fazem os russos da perseguição religiosa na Alemanha”.

Naquele conflito mundial fez furor o uso de rádios clandestinas na guerra da informação por parte das potências em guerra. Mas ninguém imaginou que o cinismo de Moscou podia ir tão longe.

Stalin e a URSS precisavam desesperadamente do apoio do povo que até há pouco tinham perseguido religiosamente.

As campanhas antirreligiosas foram suspensas, os eclesiásticos ligados ao Patriarcado de Moscou foram catapultados ao primeiro plano.

A “Rádio Cristã” despertou dúvidas pelos seus arroubos em defesa da Cristandade, muitos mais intensos do que as transmissões da Santa Sé.

Em 1963 foram recuperados arquivos na Alemanha Oriental que documentavam a monstruosa operação de guerra psicológica montada no Kremlin e os nomes da equipe internacional do Komintern [Internacional Comunista] que a efetivou.

Até o início da II Guerra Mundial, a mídia socialista russa incitava à guerra contra as “superstições” religiosas, um axioma do marxismo-leninismo.

E, quando a aliança soviético-nazista invadiu a Polônia a fúria da propaganda russa visou os chefes da Igreja Católica. Eles eram acusados de cumplicidade com o capitalismo e com os “imperialistas” fabricantes de armas, responsáveis pelo conflito na ótica de Moscou.

Quando o Papa Pio XII publicou a encíclica Summi Pontificatus (20 de outubro de 1939), o jornal soviético porta-voz do regime “Izvestia” (22 de janeiro de 1940) acusou o Vaticano de “beber sangue dos caídos”.

O Communist International (1940, nº 6), escrevia que “o proletariado internacional reconhecia entre os odiosos culpados da guerra a batina padresca do Senhor do Vaticano”.

O Sputnik Agitato (fevereiro de 1941) acusava o Papa de estar a serviço dos financistas da guerra e repelia as “calúnias selvagens” contra a URSS.

O alemão Richard Gyptner e o checo Victor Stern, fiéis agentes do Komintern, foram os chefes da “Rádio Cristã”.

Eles acabariam morrendo após a guerra cobertos de honrarias pelos serviços prestados.

Gyptner escreveu que a transmissão visava os católicos e crentes para incitá-los a se aliarem contra o “anticristo Hitler” e exaltava os eclesiásticos que agiam nesse sentido.

Na doutrina do Komintern isso afinava com a “política da mão estendida” lançada no 7° Congresso mundial do PC em 1935.

Emissões dos dias 7 e 27 de julho 1941 defenderam os católicos e espalharam que “é necessário abandonar a velha fábula do catolicismo aliado com os opressores das nações”.

As emissões em italiano concluíam com a pia exortação “cristãos, católicos! perseverai na batalha contra o anticristo”!

Em polonês ressaltavam as perseguições que sofriam os sacerdotes católicos, a ocupação de dioceses, o confisco de arquivos, a expulsão de cônegos, etc.

Em húngaro sublinhavam que na Alemanha as escolas católicas foram fechadas, que em Innsbruck os bens dos capuchinhos foram roubados e que mais de 800 sacerdotes poloneses foram extraditados para o país invasor.

Na festa da Assunção em 15 de agosto de 1943, o londrino Catholic Herald reproduziu emissão da “Rádio Cristã” em polonês com programa exaltando a festa de Nossa Senhora.

Entre outras coisas dizia: “rezemos ardorosamente à protetora de nosso católico país […] a Ela que é mais forte que Satanás se deve a queda das cidades de Orel e de Biegorod nas mãos do Exército Vermelho […]. Ô Rainha da Polônia, país que é a joia da coroa da beatíssima Virgem, conduzi nossos irmãos na batalha”.

Gyptner deixou por escrito sua alegria com o sucesso de suas mentiras. Ele citou o testemunho de oficiais e soldados inimigos presos em Stalingrado.

Mas a melhor prova para ele foi que Goebbels, ministro da propaganda nazista, classificou a “Rádio Cristã” entre as 15 emissoras inimigas mais perigosas.

O metropolita Sergio de Moscou se destacou pela pregação religiosa encomendada por Stalin e pelo PC. O dia 26 de junho de 1941 celebrou uma missa para obter a vitória.

Foi na igreja da Epifania de Moscou com grande presença de membros do governo e do PC, fartamente fotografados para difundir pela imprensa estrangeira.

Na prática nenhuma lei antirreligiosa foi tocada, abolida ou modificada. Mas não faltaram em Ocidente aqueles que viam as emissões do modo mais favorável para os sovietes e acenavam com o início de uma época nova no império do ateísmo.

Até exilados russos sonharam com uma mudança operada em Stalin que estaria fazendo dele o salvador da Santa Rússia.

Os eclesiásticos ortodoxos que não acertaram o passo foram excomungados pelo metropolita Sergio de Moscou.

Fez parte da manobra um nunca achado “documento Weigang” atribuído a um ignoto lugar-tenente alemão que teria feito um plano visando “o fechamento de todas as igrejas e a substituição do cristianismo pela religião de Wotan” na Rússia.

O plano nunca foi publicado nem recuperado em arquivo algum. Jamais foi possível identificar o referido Weigang. O golpe, porém, foi comemorado pela contrainformação soviética.

Ilya Ehrenburg chefe da propaganda de Stalin denunciou o satânico “plano Weigang” em emissão do dia 19 de julho de 1942 sublinhando a “finalidade de erradicar o cristianismo na Rússia, porque era uma religião não adaptada ao povo”.

(Autor: Robert A. Graham S.I. in La Civiltà Cattolica, 19.3.1983 nº3186, págs 533 a 547)

O curso da guerra mudou em 1943. As exigências propagandísticas foram outras e a anti-cruzada de Moscou pelo cristianismo perdeu sua utilidade. A “Rádio Cristã” parou de emitir.
Mas a manobra do generalíssimo do ateísmo José Stalin ficou registrada como uma estratégia ousada de falsa cruzada para ludibriar os cristãos e pô-los na órbita da Internacional Comunista.
Hoje, Vladimir Putin e seus acólitos parecem ter recuperado a velha cartilha para aplica-la num contexto novo, mas com possantes analogias.
Por: Luis Dufaur, escritor e conferencista, edita o blog Flagelo Russo
Do site: midiasemmascara.org

quinta-feira, 18 de maio de 2017

CAPITALISMO E CRISTIANISMO

A pedidos, e com notável atraso, reproduzo aqui este artigo que, com título editorial modificado, saiu na revista República de dezembro de 1998. - O. de C.


Uma tolice notável que circula de boca em boca contra os males do capitalismo é a identificação do capitalista moderno com o usurário medieval, que enriquecia com o empobrecimento alheio.

Lugar-comum da retórica socialista, essa ideiazinha foi no entanto criação autêntica daquela entidade que, para o guru supremo Antonio Gramsci, era a inimiga número um da revolução proletária: a Igreja Católica.

Desde o século XVIII, e com freqüência obsessivamente crescente ao longo do século XIX, isto é, em plena Revolução Industrial, os papas não cessam de verberar o liberalismo econômico como um regime fundado no egoísmo de poucos que ganham com a miséria de muitos.

Mas que os ricos se tornem mais ricos à custa de empobrecer os pobres é coisa que só é possível no quadro de uma economia estática, onde uma quantidade mais ou menos fixa de bens e serviços tem de ser dividida como um bolo de aniversário que, uma vez saído do forno, não cresce mais. Numa tribo de índios pescadores do Alto Xingu, a "concentração do capital" eqüivaleria a um índio tomar para si a maior parte dos peixes, seja na intenção de consumi-los, seja na de emprestá-los a juros, um peixe em troca de dois ou três. Nessas condições, quanto menos peixes sobrassem para os outros cidadãos da taba, mais estes pobres infelizes ficariam devendo ao maldito capitalista índio — o homem de tanga que deixa os outros na tanga.

Foi com base numa analogia desse tipo que no século XIII Sto. Tomás, com razão, condenou os juros como uma tentativa de ganhar algo em troca de coisa nenhuma. Numa economia estática como a ordem feudal, ou mais ainda na sociedade escravista do tempo de Aristóteles, o dinheiro, de fato, não funciona como força produtiva, mas apenas como um atestado de direito a uma certa quantidade genérica de bens que, se vão para o bolso de um, saem do bolso de outro. Aí a concentração de dinheiro nas mãos do usurário só serve mesmo para lhe dar meios cada vez mais eficazes de sacanear o próximo.

Mas pelo menos do século XVIII em diante, e sobretudo no XIX, o mundo europeu já vivia numa economia em desenvolvimento acelerado, onde a função do dinheiro tinha mudado radicalmente sem que algum papa desse o menor sinal de percebê-lo. No novo quadro, ninguém podia acumular dinheiro embaixo da cama para acariciá-lo de madrugada entre delíquios de perversão fetichista, mas tinha de apostá-lo rapidamente no crescimento geral da economia antes que a inflação o transformasse em pó. Se cometesse a asneira de investi-lo no empobrecimento de quem quer que fosse, estaria investindo na sua própria falência.

Sto. Tomás, sempre maravilhosamente sensato, havia distinguido entre o investimento e o empréstimo, dizendo que o lucro só era lícito no primeiro caso, porque implicava participação no negócio, com risco de perda, enquanto o emprestador, que se limitava sentar-se e esperar com segurança, só deveria ter o direito à restituição da quantia emprestada, nem um tostão a mais. Na economia do século XIII, isso era o óbvio — aquele tipo de coisa que todo mundo enxerga depois que um sábio mostrou que ela existe. Mas, no quadro da economia capitalista, mesmo o puro empréstimo sem risco aparente já não funcionava como antes — só que nem mesmo os banqueiros, que viviam essa mudança no seu dia a dia e aliás viviam dela, foram capazes de explicar ao mundo em que é que ela consistia. Eles notavam, na prática, que os empréstimos a juros eram úteis e imprescindíveis ao desenvolvimento da economia, que portanto deviam ser alguma coisa de bom. Mas, não sabendo formular teoricamente a diferença entre essa prática e a do usurário medieval, só podiam enxergar-se a si próprios como usurários, condenados portanto pela moral católica. A incapacidade de conciliar o bem moral e a utilidade prática tornou-se aí o vício profissional do capitalista, contaminando de dualismo toda a ideologia liberal (até hoje todo argumento em favor do capitalismo soa como a admoestação do adulto realista e frio contra o idealismo quixotesco da juventude). Karl Marx procurou explicar o dualismo liberal pelo fato de que o capitalista ficava no escritório, entre números e abstrações, longe das máquinas e da matéria — como se fazer força física ajudasse a solucionar uma contradição lógica, e aliás como se o próprio Karl Marx houvesse um dia carregado algum instrumento de trabalho mais pesado que uma caneta ou um charuto. Mais recentemente, o nosso Roberto Mangabeira Unger, o esquerdista mais inteligente do planeta, e que só não é plenamente inteligente porque continua esquerdista, fez uma crítica arrasadora da ideologia liberal com base na análise do dualismo ético (e cognitivo, como se vê em Kant) que é a raiz da esquizofrenia contemporânea.

Mas esse dualismo não era nada de inerente ao capitalismo enquanto tal, e sim o resultado do conflito entre as exigências da nova economia e uma regra moral cristã criada para uma economia que já não existia mais. O único sujeito que entendeu e teorizou o que estava acontecendo foi um cidadão sem qualquer autoridade religiosa ou prestígio na Igreja: o economista austríaco Eugen Böhm-Bawerk. Este gênio mal reconhecido notou que, no quadro do capitalismo em crescimento, a remuneração dos empréstimos não era apenas uma conveniência prática amoral, mas uma exigência moral legítima. Ao emprestar, o banqueiro simplesmente trocava dinheiro efetivo, equivalente a uma quota calculável de bens na data do empréstimo, por um dinheiro futuro que, numa economia em mudança, podia valer mais ou valer menos na data da restituição. Do ponto de vista funcional, já não existia mais, portanto, diferença positiva entre o empréstimo e o investimento de risco. Daí que a remuneração fosse tão justa no primeiro caso como o era no segundo. Tanto mais justa na medida mesma em que o liberalismo político, banindo a velha penalidade da prisão por dívidas, deixava o banqueiro sem a máxima ferramenta de extorsão dos antigos usurários.

Um discípulo de Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, explicou mais detalhadamente essa diferença pela intervenção do fator tempo na relação econômica: o emprestador troca dinheiro atual por dinheiro potencial, e pode fazê-lo justamente porque, tendo concentrado capital, está capacitado a adiar o gasto desse dinheiro, que o prestamista por seu lado necessita gastar imediatamente para tocar em frente o seu negócio ou sua vida pessoal. Von Mises foi talvez o economista mais filosófico que já existiu, mas, ainda um pouco embromado por uns resíduos kantianos, nem por um instante pareceu se dar conta de que estava raciocinando em termos rigorosamente aristotélico-escolásticos: o direito à remuneração provém de que o banqueiro não troca simplesmente uma riqueza por outra, mas troca riqueza em ato por riqueza em potência, o que seria rematada loucura se o sistema bancário, no seu conjunto, não estivesse apostando no crescimento geral da economia e sim apenas no enriquecimento da classe dos banqueiros. A concentração do capital para financiar operações bancárias não é portanto um malefício que só pode produzir algo de bom se for submetido a "finalidades sociais" externas (e em nome delas policiado), mas é, em si e por si, finalidade socialmente útil e moralmente legítima. Sto. Tomás, se lesse esse argumento, não teria o que objetar e certamente veria nele um bom motivo para a reintegração plena e sem reservas do capitalismo moderno na moral católica. Mas Sto. Tomás já estava no céu e, no Vaticano terrestre, ninguém deu sinal de ter lido Böhm-Bawerk ou Von Mises até hoje. Daí a contradição grosseira das doutrinas sociais da Igreja, que, celebrando da boca para fora a livre iniciativa em matéria econômica, continuam a condenar o capitalismo liberal como um regime baseado no individualismo egoísta, e terminam por favorecer o socialismo, que agradece essa colaboração instituindo, tão logo chega ao poder, a perseguição e a matança sistemática de cristãos, isto é, aquilo que o Dr. Leonardo Boff, referido-se particularmente a Cuba, denominou "o Reino de Deus na Terra". Daí, também, que o capitalista financeiro (e mesmo, por contaminação, o industrial), se ainda tinha algo de cristão, continuasse a padecer de uma falsa consciência culpada da qual só podia encontrar alívio mediante a adesão à artificiosa ideologia protestante da "ascese mundana" (juntar dinheiro para ir para o céu), que ninguém pode levar a sério literalmente, ou mediante o expediente ainda mais postiço de fazer majestosas doações em dinheiro aos demagogos socialistas, que, embora sejam ateus ou no máximo deístas, sabem se utilizar eficazmente da moral católica como instrumento de chantagem psicológica, e ainda são ajudados nisto — porca miséria! — pela letra e pelo espírito de várias encíclicas papais.

Uma das causas que produziram o trágico erro católico na avaliação do capitalismo do século XIX foi o trauma da Revolução Francesa, que, roubando e vendendo a preço vil os bens da Igreja, enriqueceu do dia para a noite milhares de arrivistas infames e vorazes, que instauraram o império da amoralidade cínica, o capitalismo selvagem tão bem descrito na obra de Honoré de Balzac. Que isso tenha se passado logo na França, "filha dileta da Igreja", marcou profundamente a visão católica do capitalismo moderno como sinônimo de egoísmo anticristão. Mas seria o saque revolucionário o procedimento capitalista por excelência? Se o fosse, a França teria evoluído para o liberal-capitalismo e não para o regime de intervencionismo estatal paralisante que a deixou para sempre atrás da Inglaterra e dos Estados Unidos na corrida para a modernidade. Um governo autoritário que mete a pata sobre as propriedades de seus adversários para distribuí-las a seus apaniguados, é tudo, menos liberal-capitalista: é, já, o progressismo intervencionista, no qual, por suprema ironia, a Igreja busca ainda hoje enxergar um remédio contra os supostos males do liberal-capitalismo, que por seu lado, onde veio a existir — Inglaterra e Estados Unidos —, nunca fez mal algum a ela e somente a ajudou, inclusive na hora negra da perseguição e do martírio que ela sofreu nas mãos dos comunistas e de outros progressistas estatizantes, como os revolucionários do México que inauguraram nas Américas a temporada de caça aos padres. O caso francês, se algo prova, é que o "capitalismo selvagem" floresce à sombra do intervencionismo estatal, e não do regime liberal (coisa aliás arquiprovada, de novo, pelo cartorialismo brasileiro). Insistindo em dizer o contrário, movida pela aplicação extemporânea de um princípio tomista e vendo no estatismo francês o liberal-capitalismo que era o seu inverso, a Igreja fez como essas mocinhas de filmes de suspense, que, fugindo do bandido, pedem carona a um caminhão... dirigido pelo próprio. A incapacidade de discernir amigos e inimigos, o desespero que leva o pecador a buscar o auxílio espiritual de Satanás, são marcas inconfundíveis de burrice moral, intolerável na instituição que o próprio Cristo designou Mãe e Mestra da humanidade. Errare humanum est, perseverare diabolicum: a obstinação da Igreja em suas reservas contra o liberal-capitalismo e em sua conseqüente cumplicidade com o socialismo é talvez o caso mais prolongado de cegueira coletiva já notado ao longo de toda a História humana. E quando em pleno século XIX o papa já assediado de contestações dentro da Igreja mesma proclama sua própria infalibilidade em matéria de moral e doutrina, isto não deixa de ser talvez uma compensação psicológica inconsciente para a sua renitente falibilidade em matéria econômica e política. Daí até o "pacto de Metz", em que a Igreja se ajoelhou aos pés do comunismo sem nada lhe exigir em troca, foi apenas um passo. Ao confessar que, com o último Concílio, "a fumaça de Satanás entrara pelas janelas do Vaticano", o papa Paulo VI esqueceu de observar que isso só podia ter acontecido porque alguém, de dentro, deixara as janelas abertas.

Que uma falsa dúvida moral paralise e escandalize as consciências, introduzindo nelas a contradição aparentemente insolúvel entre a utilidade prática e o bem moral, e, no meio da desorientação resultante, acabe por levar enfim a própria Igreja a tornar-se cúmplice do mais assassino e anticristão dos regimes já inventados —eis aí uma prestidigitação tão inconfundivelmente diabólica, que é de espantar que ninguém, na Igreja, tenha percebido a urgência de resolver essa contradição no interior mesmo da sua equação lógica, como o fizeram Böhm-Bawerk e von Mises (cientistas alheios a toda preocupação religiosa). Mais espantoso ainda é que em vez disso todos os intelectuais católicos, papas inclusive, tenham se contentado com arranjos exteriores meramente verbais, que acabaram por deixar no ar uma sugestão satânica de que o socialismo, mesmo construído à custa do massacre de dezenas de milhões de cristãos, é no fundo mais cristão que o capitalismo.

Não há alma cristã que possa resistir a um paradoxo desse tamanho sem ter sua fé abalada. Ele foi e é a maior causa de apostasias, o maior escândalo e pedra de tropeço já colocado no caminho da salvação ao longo de toda a história da Igreja.

Arrancar da nossa alma essa sugestão hipnótica, restaurar a consciência de que o capitalismo, com todos os seus inconvenientes e fora de toda intervenção estatal pretensamente corretiva, é em si e por essência mais cristão que o mais lindinho dos socialismos, eis o dever número um dos intelectuais liberais que não queiram colaborar com o farsesco monopólio esquerdista da moralidade, trocando sua alma pelo prato de lentilhas da eficiência amoral. 
Por: Olavo de Carvalho Do site: http://www.olavodecarvalho.org

terça-feira, 16 de maio de 2017

Três princípios para a sanidade sócio econômica de uma nação - D. Bertra...

ALEMANHA CONFISCA MORADIAS PARA ALOJAR MIGRANTES

"A pesada agressão aos direitos de propriedade"

- Em uma medida sem precedentes, as autoridades de Hamburgo confiscaram seis unidades residenciais no distrito de Hamm, perto do centro da cidade. Um agente administrativo nomeado pela prefeitura está reformando as propriedades para posteriormente alugá-las - contra a vontade do proprietário - aos inquilinos escolhidos por ela. A porta-voz do distrito Sorina Weiland salientou que todos os custos da reforma serão cobrados do proprietário daquelas propriedades.

- Medidas semelhantes de expropriação foram propostas em Berlim, capital alemã, mas subsequentemente abandonadas porque foram consideradas inconstitucionais.

- Há alemães se perguntando o que os espera: as autoridades limitarão o máximo de espaço vital por pessoa e forçarão aqueles com apartamentos espaçosos a compartilhá-los com estranhos?
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Autoridades de Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha, começaram a confiscar moradias particulares para mitigar a sua carência - carência esta agudamente agravada pela decisão da chanceler Angela Merkel de permitir a entrada de mais de dois milhões de migrantes no país nos últimos anos.

Desde o final de 2015, autoridades municipais estão se assenhorando de imóveis comerciais, convertendo-os em abrigos para migrantes, quando Merkel abriu as fronteiras alemãs para centenas de milhares de migrantes da África, Ásia e Oriente Médio. Agora, no entanto, a cidade está expropriando unidades residenciais de propriedade de cidadãos comuns.

Em uma medida sem precedentes, as autoridades de Hamburgo confiscaram seis unidades residenciais no distrito de Hamm, perto do centro da cidade. As unidades, de propriedade de um locador privado, precisam ser reformadas além de estarem vagas desde 2012. Um agente administrativo nomeado pela prefeitura está reformando as propriedades para posteriormente alugá-las - contra a vontade do proprietário - aos inquilinos escolhidos por ela. A porta-voz do distrito Sorina Weiland salientou que todos os custos da reforma serão cobrados do proprietário daquelas propriedades.

A expropriação está autorizada pela Lei de Proteção da Habitação de Hamburgo (Hamburger Wohnraumschutzgesetz), uma lei de 1982 atualizada pelo governo socialista da cidade em maio de 2013, para permitir que a prefeitura confisque qualquer unidade de propriedade residencial que esteja vaga por mais de quatro meses.

O arrendamento forçado, o primeiro dessa natureza na Alemanha, segundo consta, tem como objetivo pressionar os proprietários de outras residências vazias na cidade a torná-las disponíveis para serem alugadas. Das 700.000 unidades para aluguel em Hamburgo, algo entre 1.000 e 5.000 (menos de 1%) são consideradas vagas, segundo uma estimativa do Senado de Hamburgo.
Hamburgo, Alemanha. (Imagem: Morris MacMatzen/Getty Images)


Membros dos partidos socialistas e do Partido Verde de Hamburgo implantaram recentemente um "disque denúncia" onde os residentes locais podem denunciar a existência de propriedades vazias. Ativistas também criaram o site - Leerstandsmelder (Informador de Moradias Desocupadas) - para identificar imóveis desocupados em Hamburgo e demais cidades alemãs.

Ainda não está claro porque o proprietário de Hamm deixou seus apartamentos vagos por mais de cinco anos. Postula-se que dada a localização das propriedades, os custos para reformar podem ter sido demasiado elevados e provavelmente não compensaria reformá-los pela renda que aufeririam.

Outros culpam as autoridades municipais por não aprovarem mais licenças para a construção de novas unidades residenciais. Um estudo realizado em 2012 - bem antes da crise migratória atingir proporções épicas - previu que por volta de 2017, Hamburgo teria um déficit de pelo menos 50.000 imóveis para aluguel.

Em 2016, no entanto, apenas 2.433 novas unidades residenciais foram disponibilizadas, ao passo que somente 2.290 novas licenças de construção foram aprovadas segundo estatísticas fornecidas pela prefeitura de Hamburgo. O número aumentou ligeiramente de 2.192 novas unidades e de 2.041 novos alvarás em 2015.

Em 2012 o governo socialista de Hamburgo apresentou um plano para construir 6.000 novas unidades residenciais por ano. O plano nunca se materializou porque os potenciais construtores tinham que aceitar limitações nos valores dos alugueis impostos pelo governo, o que tornaria impossível aos proprietários recuperarem até mesmo os custos de construção.

A partir daí, a cidade começou a confiscar propriedades privadas para resolver sua autoinfligida crise imobiliária.

Em 1º de outubro de 2015 o Parlamento de Hamburgo (Hamburgische Bürgerschaft) aprovou uma nova lei que autoriza a prefeitura a confiscar imóveis comerciais vazios (prédios de escritórios, espaço para o comércio varejista e terrenos) e usá-los para abrigar migrantes.

Autoridades municipais ressaltaram que a medida era necessária porque, naquela época, mais de 400 novos migrantes chegavam à Hamburgo todo santo dia e todos os abrigos para refugiados estavam lotados. Elas disseram que, pelo fato dos proprietários de imóveis vazios se recusarem a disponibilizar suas propriedades à prefeitura de forma voluntária, deveria ser permitido a ela tomá-las à força.

A medida foi aplaudida pela esquerda. "Estamos fazendo de tudo para que os refugiados não fiquem desabrigados no próximo inverno" ressaltou o Senador Till Steffen do Partido Verde. "Por essa razão precisamos fazer uso de propriedades comerciais vazias".

Já outros argumentaram que as iniciativas do Estado de confiscar propriedades privadas são autocráticas e cheiram comunismo. "O proposto confisco de construções e terrenos privados é uma agressão massiva aos direitos de propriedade dos cidadãos de Hamburgo", assinalou André Trepoll, da União Democrata Cristã de centro direita (CDU). "Isso equivale a uma expropriação executada pelo Estado". Ele afirmou que a medida proposta é uma "lei de intimidação" que equivale a uma "ruptura política com implicações de longo alcance". Ele acrescentou: "os fins não justificam os meios".

Katja Suding, líder do Partido Liberal Democrata (FDP) em Hamburgo, assinalou que a lei proposta "passa dos limites de forma inaceitável... Essas medidas coercitivas só alimentam o ressentimento contra os refugiados".

Medidas semelhantes de expropriação foram propostas em Berlim, capital alemã, mas subsequentemente abandonadas porque foram consideradas inconstitucionais.

Em novembro de 2015 legisladores em Berlim consideraram implantar uma legislação de emergência que permitiria às autoridades locais confiscarem residências particulares para acomodarem candidatos a asilo. A proposta teria autorizado a polícia a invadir casas e apartamentos de propriedade particular, sem um mandado, para que determinasse sua viabilidade para alojar refugiados e migrantes.

A legislação, proposta pelo prefeito de Berlim, Michael Müller do Partido Social Democrata (SPD), de centro esquerda, teria alterado o Artigo 36 da Lei de Segurança e Ordem Pública de Berlim (Allgemeine Gesetz zum Schutz der öffentlichen Sicherheit und Ordnung, ASOG), que atualmente autoriza a polícia a entrar em residências privadas apenas em casos extremos, para "evitar graves ameaças", ou seja, para combater crimes graves. Müller queria expandir o escopo para autorizar inspeções sem mandado incluindo "prevenir a falta de moradias".

A proposta foi mantida em sigilo até o líder do Partido Liberal Democrata (FDP) em Berlim, Sebastian Czaja, alertar que a medida viola a constituição alemã.

"Os planos do Senado de Berlim para requisitar propriedades residenciais e comerciais para acomodar refugiados sem o consentimento do proprietário é uma flagrante violação da constituição. A tentativa do Senado de minar o direito constitucional à propriedade e à inviolabilidade do lar deve ser incondicionalmente rejeitada".

Desde então, tanto o gabinete do prefeito quanto o Senado parecem ter abandonado os ditos planos.

Após uma investigação, Gunnar Schupelius, um colunista do jornal BZ de Berlim, salientou:

"Causou espécie um relato que circulou no fim de semana: o Senado autorizaria a polícia a entrar em casas particulares para abrigar refugiados, mesmo contra a vontade do proprietário. Achei que fosse só uma piada, depois um mal-entendido, porque a Lei Fundamental, Artigo 13, estabelece: "o lar é inviolável".

"De modo que saí em busca da origem do relato e consegui encontrá-lo. Foi a Chancelaria do Senado (Senatskanzlei), ao que tudo indica, que fez circular a 'proposta' entre os senadores. A Chancelaria do Senado é outro nome que se dá ao Gabinete do Prefeito. O secretário em exercício é Björn Böhning (SPD)...

"A proposta é clara: a polícia poderá entrar em propriedades privadas sem ordem judicial para averiguar a possibilidade delas se tornarem abrigo para refugiados se eles estiverem ameaçados de ficarem sem moradia. Isso será permitido sem o consentimento do proprietário. E não é só a polícia que deveria ter tal autorização, mas também as agências reguladoras.

"Esta delicada 'proposta' atraiu pouca atenção pública. Somente o secretário-geral do FDP (Partido Liberal Democrata) de Berlim, Sebastian Czaja, se manifestou alertando para um 'flagrante preparativo para rasgar a constituição'. Internamente deve ter havido protestos: a 'proposta' de repente desapareceu da ordem do dia. Desapareceu para sempre ou será que vai voltar"? "

Ainda não está claro porque ninguém questionou sobre a constitucionalidade da lei de expropriação de Hamburgo.

Enquanto isso, há alemães se perguntando o que os espera: as autoridades limitarão o máximo de espaço vital por pessoa e forçarão aqueles com apartamentos espaçosos a compartilhá-los com estranhos?
Por Soeren Kern 16 de Maio de 2017
Tradução: Joseph SkilnikSoeren Kern é Colaborador Sênior do Gatestone Institute de Nova Iorque. Do site: https://pt.gatestoneinstitute.org

terça-feira, 9 de maio de 2017

A "QUARTA CLASSE"


Uma das maiores bobagens disseminadas pelo Brasil e pelo mundo é a noção de que somos divididos em somente duas classes.

O mundo na realidade é dividido em N classes, algo que você intuitivamente já sabia, mas para simplificar vou reduzi-las para somente sete Classes, a seguir.

A Sétima Classe. São todos aqueles com Q.I. até 80. Vide o gráfico. São aqueles que só têm a sua força de trabalho para vender.

Em termos de força intelectual ficam devendo.

Mas mesmo assim conseguem cuidar de máquinas, fazer trabalho repetitivo, obedecer ordens e serem produtivos para a sociedade.

A Sexta Classe. Aqueles com Q.I. Até 90.

A Quinta Classe. Aqueles com Q.I. Até 100.

Essas duas Classes provavelmente são até tão inteligentes quanto a média, mas por não terem tempo ou condições para estudar ou “refletir sobre o mundo” tiram notas mais baixas no teste de QI.

Estes também se viram, basta um pouco de supervisão, contato e aconselhamento da Terceira e Segunda Classes.

A Quarta Classe são aqueles com Q.I. entre 100 e 110.

São mais espertos do que necessariamente inteligentes.

É a classe má, perversa, enganadora, mentirosa.

As outras seis Classes são essencialmente do bem, com as exceções de sempre.

A Terceira Classe são aqueles com Q.I. entre 110 e 120, são os bacharéis de Faculdades, os que serão o segundo escalão das empresas, do governo e das ONGs.

São os que fazem acontecer, que trabalham para coordenar, planejar, motivar, essenciais para todas as sociedades.

A Segunda Classe são aqueles com Q.I. entre 120 e 130, os mestres e doutores.

Serão os Diretores, os Presidentes, os Sócios e os Líderes da Sociedade.

São aqueles que sabem analisar problemas complexos e tomar decisões complicadas e nos liderar fora das crises que ocorrem de tempos em tempos.

E finalmente temos a Primeira Classe.

São aqueles com Q.I. acima de 130, os gênios, os cientistas, os Nerds, os Prêmios Nobel, os inventores, os inovadores, como aqueles engenheiros têxteis da era industrial.

A Primeira Classe se vira sozinha, mas deixa um enorme legado em termos de quebra de paradigmas, teorias, sistemas, etc…

São meio excêntricos de fato, muitas vezes incompreendidos e solitários.

Agora vem a tese central que explica o que aconteceu no mundo.

Numa sociedade eficiente, os conhecimentos adquiridos pelas classes superiores precisam ser lentamente transmitidos às classes inferiores, em cascata da Primeira até a Sétima. Vide o gráfico.

Embora cada classe prefira escrever para a sua própria classe, povos que entendem essa dinâmica criam mecanismos para cada classe difundir conhecimento para a classe mais à sua esquerda.

Por isso temos livros científicos, livros de autoajuda, artigos em jornais, congressos, faculdades, cada classe instruindo a classe logo abaixo.

O mundo seguia basicamente esse modelo com sucesso por mais de 2000 anos.

O que variava era a rapidez de transmissão, no Brasil super mais lenta.

Hoje essa disseminação de conhecimento classe abaixo, deveria ser muito mais rápida graças à internet, mas não é.

Ela foi interrompida pela Quarta Classe.

A Quarta Classe tomou o poder impedindo que a disseminação de conhecimento da Primeira Classe fosse efetivamente transmitida para as classes mais necessitadas.

Continuam ensinando Karl Marx, em vez de Elon Musk.

E assim perpetuam a pobreza, mas não a deles, impedindo o progresso dos mais necessitados.

É a Quarta Classe que é dominada por intelectuais medíocres e frustrados, jornalistas medíocres e incompetentes, economistas medíocres e fakes, artistas de terceira.

Medíocre significa média, lembrem-se disso.

Substituíram conhecimento por narrativas, interpretações Derridianas, mentiras fabricadas e o Fake News.

Por isso a Quarta Classe precisa tanto controlar a imprensa, as faculdades, os artistas, as novelas, etc.

E eles até vendem o peixe que Marilena Chauí ou Leandro Karnal são da Primeira Classe.

Como a Quarta Classe tem um Q.I. de 105 em média, e portanto superior a 55% da população, enganando as três classes que mais precisam de conhecimento, eles ganham todas as eleições e controlam o governo eternamente.

E aí surgem os nossos problemas.

A Quarta Classe é suficientemente inteligente para enganar o povo, mas não o suficiente para governar um país, vide Dilma ou Eduardo Suplicy.

A Quarta Classe não quer que metade da população aprenda com a metade mais inteligente do Brasil, e sim com ela.

O objetivo da Quarta Classe é manter a metade da população na ignorância, por isso o ensino Estatizado será sempre de péssima qualidade.

A Quarta Classe prefere ensinar Português a Ciências.

Prefere ser eleita para a Academia de Letras do que a Academia de Ciências, vide FHC.

A Quarta Classe prefere ensinar Economia a Administração.

Prefere ensinar História da Idade Média a Contabilidade.

Prefere Estudos do Gênero a Finanças Pessoais, Filosofia ao Ensino Profissional.

É a Quarta Classe que dissemina o ódio, “a luta de classes” para impedir que os mais necessitados leiam sobre o progresso de quem a faz.

Boa parte da minha vida como escritor, colunista na Veja, foi transmitir conhecimentos das primeiras classes, para as classes mais necessitadas.

Contornando assim essa censura ferrenha da Quarta Classe.

Eu até sou conhecido por escrever coisas complexas de forma simples, mas isso foi sempre de propósito dado o meu objetivo.

Se você faz parte das três primeiras ou das três últimas Classes, tem um inimigo comum.

Essa Quarta Classe que domina a imprensa, as universidades, os Ministérios da Educação, tudo com o objetivo de manter a população mais ignorante do que eles.

Precisamos fazer uma nova Revolução, a luta contra essa barreira de ignorância imposta pela Quarta Classe.

“Inteligentes do mundo uni-vos. Vocês só terão as mentiras da Quarta Classe a perder.”
Por: Stephen Kanitz  Do site: http://blog.kanitz.com.br


segunda-feira, 8 de maio de 2017

APRENDA A OBSERVAR


Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula, estrategicamente colocada bem longe do dia-a-dia e da realidade.

Nossas escolas nos obrigam a estudar mais os livros de antigamente do que a realidade que nos cerca.

Observar, para muitos professores, significa ler o que os grandes intelectuais do passado observaram – gente como Rousseau, Platão ou Keynes.

Só que esses grandes pensadores seriam os primeiros a dizer “esqueçam tudo o que escrevi”, se estivessem vivos.

Na época não existia internet nem computadores, o mundo era totalmente diferente.

Eles ficariam chocados se soubessem que nossos alunos são impedidos de observar o mundo que os cerca e obrigados a ler teoria escrita 200 ou 2.000 anos atrás – o que leva os jovens de hoje a se sentir alienados, confusos e sem respostas coerentes para explicar a realidade.

Não que eu seja contra livros, muito pelo contrário.

Sou a favor de observar primeiro, ler depois.

Os livros, se forem bons, confirmarão o que você já suspeitava.

Ou colocarão tudo em ordem, de forma esclarecedora.

Existem livros antigos maravilhosos, com fatos que não podem ser esquecidos, mas precisam ser dosados com o aprendizado da observação.

Ensinar a observar deveria ser a tarefa número 1 da educação.

Quase metade das grandes descobertas científicas surgiu não da lógica, do raciocínio ou do uso de teoria, mas da simples observação, auxiliada talvez por novos instrumentos, como o telescópio, o microscópio, o tomógrafo, ou pelo uso de novos algoritmos matemáticos.

Se você tem dificuldade de raciocínio, talvez seja porque não aprendeu a observar direito, e seu problema nada tem a ver com sua cabeça.

Ensinar a observar não é fácil.

Primeiro você precisa eliminar os preconceitos, ou pré-conceitos, que são a carga de atitudes e visões incorretas que alguns nos ensinam e nos impedem de enxergar o verdadeiro mundo.

Há tanta coisa que é escrita hoje simplesmente para defender os interesses do autor ou grupo que dissemina essa ideia, o que é assustador. Se você quer ter uma visão independente, aprenda correndo a observar você mesmo.

Sou formado em contabilidade e administração.

A contabilidade me ensinou a observar primeiro e opinar (muito) depois.

Ensinou-me o rigor da observação, da necessidade de dados corretamente contabilizados, e também a medir resultados, a recusar achismos e opiniões pessoais.

Aprendi ainda estatística e probabilidade, o método científico de chegar a conclusões, e finalmente que nunca teremos certeza de nada. Mas aprendi muito tarde, tudo isso me deveria ter sido ensinado bem antes da faculdade.

Se eu fosse ministro da Educação, criaria um curso obrigatório de técnicas de observação, quanto mais cedo na escala educacional, melhor.

Incentivaria os alunos a estudar menos e a observar mais, e de forma correta. Um curso que apresentasse várias técnicas e treinasse os alunos a observar o mundo de diversas formas. O curso teria diariamente exercícios de observação, como:

1. Pegue uma cadeira de rodas, vá à escola com ela por uma semana e sinta como é a vida de um deficiente físico no Brasil.

2. Coloque uma venda nos olhos e vivencie o mundo como os cegos o vivenciam.

3. Escolha um vereador qualquer e observe o que ele faz ao longo de uma semana de trabalho. Observe quanto ele ganha por tudo o que faz ou não faz.

Quantas vezes não participamos de uma reunião e alguém diz “vamos parar de discutir”, no sentido de pensar e tentar “ver” o problema de outro ângulo?

Quantas vezes a gente simplesmente não “enxerga” a questão?

Se você realmente quiser ter ideias novas, ser criativo, ser inovador e ter uma opinião independente, aprimore primeiro os seus sentidos. Você estará no caminho certo para começar a pensar.
Revista Veja, 4 de agosto de 2004, página 18 
Por: Stephen kanitz Do site: http://blog.kanitz.com.br

quinta-feira, 4 de maio de 2017

UMA FILOSOFIA DA MENTIRA

O dinheiro acumulado sempre leva o seu dono à conclusão de que a melhor política é a covardia. A verdade é que o acúmulo tende a tornar você uma formiga contida em seu formigueiro


Se no futuro existir um medidor de mentiras, o início do século 21 ganhará o prêmio de era da mentira.

Uma filosofia da mentira é algo necessário para qualquer dossiê de temas urgentes. Sabe-se que a mentira foi duramente condenada pelo filósofo Immanuel Kant no século 18. Para ele, se ninguém mentisse, o mundo seria mais ético e mais “transparente”. Se vivesse hoje, acreditaria, provavelmente, na gestão ética dos indivíduos através de uma espécie de sistema universal de compliance.

Contra essa ideia de um mundo perfeito da transparência, o russo Dostoiévski, no século 19, visitando feiras de ciência da Europa ocidental, já percebia a morte da privacidade pelas mãos de um “palácio de cristal” onde a vida seria um fato “claro e distinto”.

No Brasil, nosso maior filósofo da moral, Nelson Rodrigues, em pleno século 20, clamava “mintam, mintam por misericórdia!”. Nelson pensava que, sem a mentira, a vida em sociedade seria impossível. A mentira, nesse caso, era uma forma de doçura para com as fraquezas humanas. Aquele tipo de mentira misericordiosa que sustenta jantares em família, amizades, longos relacionamentos, silêncios honrosos em nome de um morto ou a piedade diante de uma feia.

Mas há formas de mentira que precisam ser mais analisadas por nossa vã filosofia. Refiro-me à mentira a serviço do marketing moral. Esse tipo de mentira visa vender a ideia de que somos uma época mais avançada em costumes, afetos e comportamentos. Se formos à tradição filosófica, veremos que a mentira contemporânea se encaixa no tipo de mentira que se chama mentiras da vaidade. Vejamos três casos.

A vaidade ferida, normalmente, se transforma em sua irmã ainda mais miserável, a inveja. A falsa afirmação do marketing moral de que todas as pessoas são iguais (uma corruptela da ideia justa de que todos devem ser iguais perante a lei, mentira essa evidente, na verdade) gera, no convívio interno a instituições, a mentira travestida de normas burocráticas.

Alguém sob forte inveja pode, facilmente, querer destruir a fonte de sua humilhação cotidiana (por exemplo, destruir alguém muito melhor do que você profissionalmente) lançando sobre essa fonte (uma pessoa, na maioria dos casos) um conjunto de normas que visa inviabilizar a vida dessa pessoa.

Se indagado acerca da causa desse conjunto de normas burocráticas asfixiantes, o mentiroso no exercício de sua função burocrática dirá que apenas exerce sua função, aplicando as normas.

Como muitas normas burocráticas visam mesmo à destruição da espontaneidade e criatividade, e riscos inerentes às duas, em nome da mediocridade segura, o mentiroso burocrático estará seguro no exercício de sua função. Não prestamos a devida atenção ao fato que a mediocridade é a forma mais segura de viver que existe.

Fala-se muito em “pensar fora da caixa”, mas, na verdade, nunca o mundo corporativo investiu mais no seu contrário: as pessoas devem ser cada vez mais medíocres e respeitadoras dos limites dessa caixa.

O dinheiro acumulado sempre leva o seu dono à conclusão de que a melhor política é a covardia. Apesar de se falar o contrário disso, a verdade é que o acúmulo tende a tornar você uma formiga contida em seu formigueiro.

Falar em “pensar fora da caixa” é para o pensamento da “gestão de ideias” o que a punheta é para o sexo: uma atividade segura, sem riscos de engravidar alguém. Quando o risco de perda é muito alto, a melhor política é a mediocridade que paga pouco, mas sempre paga.

As relações entre homens e mulheres nunca foram tão ruins como hoje. O desinteresse pelo sexo é seu maior sintoma. Sexo suja, implica em riscos e precisa de um “outro” para ser realizado.

Aliás, uma das maiores mentiras contemporâneas é a masturbação ética ao redor da “alteridade”(o tal do “outro”). Fala-se muito dele, mas o eliminamos à nossa volta. Outros na África são mais seguros do que em casa. A ideia de que as pessoas evoluíram nos afetos é, talvez, a maior de todas as mentiras contemporâneas. Suspeito, na verdade, que “involuímos”. Somos uns retardados do afeto.
Por: Luiz Felipe Pondé, escritor, filósofo e ensaísta, é doutor em Filosofia pela USP e professor do Departamento de Teologia da PUC-SP e da Faculdade de Comunicação da Faap. Do site: http://www.gazetadopovo.com.br

terça-feira, 2 de maio de 2017

A MORTE DO OCIDENTE

A busca frenética do prazer sensível, em detrimento da própria razão e da ordem natural da sociedade, indica que estamos num alto grau de decadência


O clássico de ficção científica Um Cântico para Leibowitz acompanha uma ordem religiosa fictícia desde pouco após um apocalipse nuclear (o livro é de 1960) a milênios depois, passando por todos os períodos de reconstrução, auge e decadência de uma sociedade. Na época do lançamento, as cenas da sociedade futura tremendamente decadente em que as pessoas buscavam voluntariamente a eutanásia causaram espécie. Já na vida real, estamos quase lá. Esta semana, o bravo governo guatemalteco conseguiu expulsar de suas águas um barco pertencente a uma organização abortista que se dedica a matar bebês mundo afora.

A morte não é uma libertação. Nem a própria, como na eutanásia buscada pelos personagens do livro, nem a de outrem, como a do filho que as mães que procuram o barco assassino querem eliminar.

É nosso dever preservar as riquezas do Ocidente para que ele renasça veja também

Nossa sociedade, decadente até a medula, dedica-se aos prazeres como se o mundo fosse acabar amanhã, num frenesi que só faz aumentar no carnaval, enquanto foge das responsabilidades o quanto puder. No carnaval, distribuem-se aos bêbados camisinhas e lubrificantes genitais às mancheias, enquanto uma barraquinha perdida lá no meio conduz testes de HIV e se surpreende com a quantidade de casos positivos. Em muitas cidades do Brasil, andar sozinha no carnaval sem ser agarrada e beijada à força é quase impossível para uma moça sozinha.

Esta busca frenética do prazer sensível, em detrimento da própria razão e da ordem natural da sociedade, indica que estamos num alto grau de decadência. A busca voluntária da morte de modo social é a próxima etapa. É o que já vemos com os movimentos pró-aborto, e em breve veremos com movimentos pela eutanásia e suicídio assistido. A Holanda, onde um amigo meu dizia que o capeta faz test-drive, já está matando tantos idosos que se tornou comum entre os cidadãos mais velhos buscar tratamento médico na Alemanha, para evitar ser morto pelos médicos.

Não há o que se possa fazer para reverter o processo de decadência; só o que se pode é esperar que o que virá seja melhor, e que nossos filhos e netos consigam erigir alguma coisa decente sobre as ruínas da nossa civilização. Para isso, é fundamental que ajamos sempre tendo em vista o bem comum e, especialmente, o bem das futuras gerações. Devemos, cada um de nós, procurar preservar uma parcela do grandioso construto que foi um dia a civilização ocidental, para que isso possa ser resgatado daqui a algumas gerações. Aqui no Brasil estamos na periferia, nos subúrbios desta civilização. Exatamente por isso, sua decadência aqui não tem um alcance tão forte; temos feministas gritando pelo aborto, mas ele continua praticamente proibido. É nosso dever preservar as riquezas do Ocidente para que ele renasça. Por: Carlos Ramalhete  carlosgazeta@hsjonline.com 

[02/03/2017]  Publicado na Gazeta do povo